10/08/2022

Quando preciso procurar um pronto-socorro?

Especialistas sinalizam os principais sintomas que devem ser recorridos aos serviços de emergência e como a telemedicina pode ajudar nos demais casos
saúde

Quando o clima começa a esfriar, os casos de gripes e resfriados voltam a crescer. Esse é um cenário que se repete todos os anos, em todos os países. No entanto, com a experiência da Covid-19 ainda firme na memória dos brasileiros, um espirro passa a ser um motivo de preocupação. Para as doenças respiratórias, a grande maioria é resolvida com tratamentos paliativos para os sintomas, que podem ser passados diretamente por um profissional de saúde, seja de forma presencial ou remota.

“A procura por serviços de alta complexidade, como pronto atendimentos, deve ser apenas em casos mais graves, quando o tratamento não está resolvendo e os sintomas estão persistindo ou se agravando”, explica Raquel Imbassahy, diretora de Gestão de Saúde da SulAmérica.

Os sintomas mais frequentes de gripes e resfriados são nariz escorrendo, dor de garganta, moleza e febre. Esses são quadros associados à infecção e podem ser manejados, na maior parte dos casos, sem a necessidade de procurar um pronto-socorro. Complicações desse quadro que indicam uma investigação mais urgente são falta de ar ou dificuldade de respirar, febre alta (igual ou maior que 39ºC) sem sintoma aparente ou febre baixa, por volta de 38ºC, porém persistente, por mais de 48h a 72h. Pessoas em grupo de risco, como idosos ou com ocorrência de comorbidades, precisam ser acompanhadas por um profissional de saúde para avaliar a necessidade de ida a um pronto-socorro.

Além dos sintomas gripais, outros sintomas podem incluir diarreia e/ou vômitos intensos e persistentes, que dificultam a ingestão de líquidos e soros orais. Nesse caso, a busca por um pronto atendimento se faz necessário para poder medicar o paciente de outras formas. O batimento cardíaco acelerado em um paciente sem febre, que não esteja relacionado ao exercício ou estresse emocional, deve ser investigado por um pronto-atendimento. Há sintomas que devem ser alertas importantes para o pronto-atendimento que não estão associados aos quadros gripais. Sintomas de alerta para casos de maior gravidade incluem dormência ou fraqueza súbita nos braços ou pernas e/ou início súbito de visão turva, o que pode indicar um acidente vascular cerebral. Outros sinais possíveis incluem desorientação, sonolência e/ou dificuldade para falar. Dor repentina no peito ou a sensação de uma pressão no peito devem ser investigadas o mais rápido possível, assim como dor na região abdominal não traumática, súbita e de intensidade variável, com ou sem outros sintomas.

Casos de gripes e resfriados tendem a ser quadros que podem ser resolvidos de forma menos complexa, principalmente com o apoio dos serviços de telemedicina, que podem atender os pacientes de forma rápida e eficiente. Dados dão conta que 80% dos casos podem ser resolvidos por meio da assistência primária, mesmo que de forma remota. “As pessoas costumam buscar pelo pronto socorro presencial pela facilidade de ser atendido 24 horas nos 7 dias da semana, mesmo que acabem aguardando horas dentro da unidade”, explica Raquel. A possibilidade de resolução imediata da queixa clínica, muitas vezes por meio da realização de exames na hora, acaba levando muitos para o pronto socorro de forma desnecessária. A telemedicina oferece assistência médica segura, ágil e eficaz, evitando a exposição aos riscos de um ambiente hospitalar de forma desnecessária. “Além de estar no conforto de sua casa, a telemedicina evita a necessidade de deslocamento de pessoas mais idosas ou com dificuldade de locomoção”, diz.

Há vários mitos relacionados ao atendimento remoto que acabam reforçando o comportamento de visitas desnecessárias ao pronto socorro. “O receio de não ser atendido de forma eficiente é o que mais permeia a telemedicina, o que não é verdade”, diz. A telemedicina é uma forma de ampliar o acesso à saúde de qualidade, possibilitar orientação de especialistas com expertise em determinadas doenças. O atendimento em casa e o acompanhamento do médico de forma mais rápida e próxima por meio da telemedicina é também uma forma de decidir quando é hora, se necessário, de ir ao pronto atendimento. “Além disso, ampliamos os limites geográficos por meio do atendimento remoto, não só ao médico, mas também a outros especialistas, como psicólogos e nutricionistas”, conclui.

N.F.
Revista Apólice