05/07/2022

Sandbox da Susep na prática: Tendências e o desenvolvimento do setor de seguros

Todo potencial dessa revolução só será possível se houver uma tecnologia capaz de flexibilizar e suportar as inovações que estão surgindo
sandbox

Há pouco mais de dois anos, a Susep (Superintendência de Seguros Privados) lançava a Resolução CNSP Nº 381, de 4 de março de 2020; e a Circular Susep Nº 598, de 19 de março de 2020, primeiros passos no sentido de criação de um Sandbox Regulatório no Brasil. A ideia era criar um ambiente experimental permitindo que agentes do mercado segurador pudessem testar projetos inovadores, novos produtos, serviços ou tecnologias, por um período determinado, para usufruir de uma flexibilização na regulamentação e na supervisão para pôr em prática suas ideias.

Entre os principais objetivos, estavam o desenvolvimento do mercado de uma maneira em geral; o estímulo a competição focada em sua expansão e aumento da eficiência; diversificação de produtos e barateamento dos preços; maior eficiência em pagamentos (reembolsos, sinistros etc); e melhoria constante da experiência do segurado.

Weliton Costa

Passadas duas edições, acho que já podemos fazer uma análise preliminar desse processo. Na minha opinião, uma grande vantagem do Sandbox brasileiro é que tanto a Susep como as participantes tiveram a oportunidade de desenvolverem produtos inovadores e puderam testar sua aplicação tanto no âmbito de negócio como na regulamentação vigente.

Apesar do pouco tempo, surgiram alguns bons projetos e a tendência é que apareçam cada vez mais participantes com ideias inovadoras e disruptivas, podendo sempre contribuir para o crescimento do nosso mercado, tendo a oportunidade de competir com grandes companhias seguradoras. Digo isso porque esse modelo já foi utilizado com sucesso em outros países como Inglaterra, Índia, Singapura, entre outros.

O Reino Unido foi o pioneiro na regulamentação “Sandbox”. A FCA (Financial Conduct Authority), órgão que atua na regulamentação do mercado financeiro e segurador naquele país, lançou entre 2016 e 2018, quatro edições de Sandbox Regulatório, processo que se consolidou com a participação de 89 empresas, incluindo fintechs e insuretchs.

Há cerca de sete anos, a China também realizou um processo similar, de onde surgiram três seguradoras online, incluindo a ZhongAn Insurance. Com um slogan que dizia “somos diferentes por sua causa”, se tornou uma companhia de seguros e uma startup de tecnologia ao mesmo tempo, e segue revolucionando o seguro na China e influenciando outras seguradoras no mundo.

Como somos uma empresa de tecnologia, tivemos a honra de participar não apenas da história da ZhongAn, mas também da 88i Seguradora Digital, a 1ª seguradora 100% online do Brasil, além de outras insurtechs que também participam do Sandbox Regulatório da Susep, como a Simple2u, a Split Risk, a Darwin e tantas outras.

Com o surgimento desses novos players, as grandes seguradoras também tiveram que se reinventar para poderem manter cativo seus clientes. Foi necessário investir em inovação e na criação de produtos que gerem valor agregado e atendam as reais necessidades dos segurados

Por fim, o Sandbox também impactou o cliente, que hoje tem mais facilidade para encontrar um produto que melhor se encaixe na sua realidade, até pela diversidade de canais para consumo. Além disso, se a empresa não conseguir prender a sua atenção, facilmente o segurado poderá migrar para outro modelo e prestador.

Dessa forma, do meu ponto de vista, todo potencial dessa revolução (que está apenas começando) só será possível se houver tecnologia capaz de flexibilizar e suportar as inovações que estão surgindo, sob pena de perdermos boas ideias por simplesmente não conseguirmos colocar em prática ou materializá-las pela falta de como fazer acontecer.

* Por Weliton Costa, diretor de Desenvolvimento de Negócios América Latina na eBaoTech