10/08/2022

Escassez de corretores de seguros em cidades do interior evidencia oportunidade de mercado

Segundo dados da Susep, em aproximadamente 60% dos municípios brasileiros não há profissionais habilitados para trabalhar no ramo
corretor

Uma pesquisa realizada com base em dados da Susep (Superintendência de Seguros Privados) indicou que os corretores de seguros estão mal distribuídos no Brasil. Os números mostram que em aproximadamente 60% dos municípios brasileiros não há profissionais habilitados para trabalhar no ramo. A escassez chama a atenção principalmente nas regiões Norte e Nordeste, indicando que há um grande campo de atuação e mercado de trabalho que pode ser explorado.

De acordo com Altevir Júnior, representante do Sindseg N/NE (Sindicato das Seguradoras Norte e Nordeste), os corretores estão concentrados, em sua maior parte, nas capitais e em grandes cidades, deixando cerca de 3.400 municípios do interior sem um só corretor para atender à população.

“São milhares as cidades mais afastadas dos centros onde existe demanda por produtos de seguros, quer seja para veículos, residências, empresas, seguros de vida, etc. Mas os consumidores acabam sem ter acesso às oportunidades que o mercado segurador oferece principalmente por falta de conhecimento e orientação, trabalho que deve ser realizado por um corretor habilitado”, afirma.

Segundo Júnior, uma das causas para a escassez de profissionais com a devida habilitação nessas localidades se deve, principalmente, à dificuldade que existia para realização do curso de capacitação e da prova para habilitação de novos corretores de seguros.

“No entanto, o crescimento do ensino digital fez com que as distancias fossem diminuídas e os profissionais que antes tinham que se deslocar para outras cidades para realizar um curso de formação e se tornarem corretores, agora podem fazer isso de qualquer lugar”, completa. Exemplo disso é que a ENS (Escola de Negócios e Seguros) adaptou seus processos e já atua de forma 100% digital.

“Já existia a tendência de adaptar nossos cursos para o formato híbrido, mas a pandemia acelerou essa transformação e a escola passou a funcionar totalmente online. A aceitação foi muito boa e, com isso, chegamos a pessoas e cidades que antes não tinham esta oportunidade apenas com o formato presencial”, explica Cristiana Noblat, coordenadora da ENS no Nordeste.

De acordo com a coordenadora, houve um enorme cuidado com essa transição, para que o aluno continuasse tendo a mesma experiência e conteúdo oferecidos no presencial. “Nossos cursos são online, mas com aulas ao vivo, justamente para valorizar a integração entre professores e estudantes, que vão ter acesso a todo o material didático, além de videoaulas gravadas para consultarem sempre que for necessário”, explica Cristiana.

Desde a sua fundação, em 1971, a ENS já formou mais de 110 mil corretores de seguros no país. Em 2021, foram sete mil profissionais formados. Segundo Cristiana, o setor de seguros vem crescendo muito ao longo dos anos e se mostra, cada vez mais, como uma grande oportunidade para quem está entrando ou quer se recolocar no mercado de trabalho.

“A indústria de seguros precisa de profissionais qualificados, principalmente nas regiões e cidades onde a quantidade de corretores ainda é insuficiente para atender à população. Aqueles que se prepararem e se qualificarem constantemente, terão um potencial de oportunidades muito grande”, registra a coordenadora.

Ela reforça, ainda, que em apenas sete meses é possível passar pela qualificação e ser aprovado como um corretor habilitado. “Com dedicação e comprometimento, em muito pouco tempo é possível adquirir uma profissão nova, com muita demanda e que está em constante ascensão”, finaliza.

N.F.
Revista Apólice