20/05/2022

Programas de prevenção e bem-estar são tendência para a saúde em 2022

Leandro Felix, da Pegasystems

Artigo de Leandro Felix*Com o avanço da medicina, a expectativa de vida das pessoas tem aumentado ano após ano, subindo para 76,8 anos em 2020 no Brasil, segundo o IBGE. Essa realidade chama a atenção do segmento de saúde e seguros no desenho de produtos alinhados às necessidades das pessoas. Afinal, quando falamos sobre qualidade de vida e bem-estar, é sempre melhor prevenir do que remediar. 

Isso porque é inegável que as pessoas estão ainda mais atentas à prevenção de doenças em busca de uma vida mais equilibrada e saudável, recorrendo a diversos recursos de prevenção e autocuidado para evitarem patologias crônicas. É nesse ponto que a tecnologia ganha um papel fundamental na gestão de saúde das pessoas, podendo apoiá-las em tempo real quanto às suas atividades e metas para cada estágio da vida, um trunfo e tanto nas mãos de seguradoras, clínicas e provedores de saúde no sentido de  engajar os clientes a aderirem aos serviços preventivos, sempre mais baratos do que o tratamento de doenças, gerando valor para o segmento como um todo.

Acesso à informação de saúde: um aliado da redução de custos

Além da tecnologia poder contribuir para a longevidade dos cidadãos, indiretamente  também apoia as seguradoras e demais instituições do setor de saúde a economizarem consideravelmente se as pessoas não precisarem ir, com frequência, aos pronto-socorros, como apurado pela Accenture no Índice de Alfabetização do Sistema de Saúde, desenvolvido para mensurar o impacto da falta de informação nos Estados Unidos.  

Nesse estudo, foi constatado que as pessoas com menos compreensão do sistema de saúde têm muito mais probabilidade de ir ao pronto-socorro do que aquelas com mais conhecimento, gerando impacto de até US$ 47 bilhões todos os anos em custos médicos, algo a se evitar com a democratização de informação sobre saúde.

Segundo pesquisa global da Deloitte, 72% dos consumidores priorizam sua saúde e bem-estar, assim como suas necessidades pessoais e objetivos. Logo, pode-se afirmar que as seguradoras e todos os sistemas de saúde têm muito espaço para investir em programas que incentivem os cuidados preventivos, a prática de exercícios físicos e uma vida mais sadia. 

Com a tecnologia certa somada aos dados da DPS (Declaração Pessoal de Saúde), obtém-se dados valiosos sobre o histórico patológico familiar, idade, peso, hábitos, rotina e outras informações que dão total embasamento para engajar os segurados/pacientes logo na contratação das apólices, evitando assim maior sinistralidade no futuro.  

Essa abordagem de prevenção, embasada na visão 360º da saúde dos clientes, proporciona não apenas a baixa de custos com eventuais sinistros, como também  uma experiência muito melhor, mais personalizada, confiável, completa e satisfatória. Utilizando estrategicamente esses dados, as seguradoras, clínicas e provedores de saúde conseguem acompanhar os pacientes durante todas as fases de suas vidas e antever serviços que serão úteis para o futuro. Um investimento em tecnologia de médio e longo prazo que, além de reter os clientes, também gera economia significativa de recursos. Uma via de mão dupla.

Diante dessas informações, está mais do que claro que a tecnologia ajuda a diminuir a sinistralidade por meio da prevenção. Dados, algoritmos e códigos podem, sim, fazer a diferença na sociedade como um todo. No Brasil, a prática de incentivo a programas de bem-estar e prevenção ainda não está consolidada, porém temos prova do quanto isso é benéfico tanto para os cidadãos quanto para as seguradoras e provedores de saúde. O próximo passo é entender que tecnologia não é gasto, e sim investimento. E todo investimento não precisa, necessariamente, ter retorno imediato. Investir agora para colher excelentes resultados no médio e longo prazo também vale a pena, acredite.

*Leandro Felix é diretor de Seguros e Saúde da Pegasystems