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EXCLUSIVO – Em um momento com uma série de incertezas, ouvir dois expoentes da comunidade científica do país é acalentador. Por isso, a MAG Seguros trouxe para o seu Congresso Potencialize o economista Eduardo Gianetti e a infectologista Dra. Margareth Dalcomo, para discutir os rumos da saúde, da política e da economia no mundo pós-pandemia.

Eduardo Gianetti, que além de economista, docente, desde dezembro é imortal da Academia Brasileira de Letras, compartilhou sua visão do mundo pós pandemia, tanto do ponto de vista das tendências globais quanto do foco na economia brasileira e o que esperar deste ano.

Para ele, o mundo pós-pandemia traz 3 grandes certezas: o mundo está mais endividado (não apenas no setor público, mas também as famílias e empresas). Esta medida foi necessária para garantir renda e atendimento para as pessoas, mas esta perspectiva de endividamento não pode continuar crescendo.

A segunda certeza é que o mundo será menos globalizado. A pandemia revelou que a economia interdependente, com poucos produtores globais fornecendo em escala planetária, deixou o mundo suscetível a crises. Para 180 produtos críticos da cadeia de produção existem apenas um ou dois fornecedores. “Aprendemos que temos que tomar cuidado com esta super especialização”, alertou Gianetti.

A terceira certeza é que “nós vamos para um mundo mais digitalizado, seja no campo do trabalho, consumo ou entretenimento. Este caminho já vinha sendo percorrido, mas houve uma aceleração do processo. Todos passamos por um curso intensivo de aprendizado no uso das novas ferramentas, aberto pela digitalização. Este processo ainda não terminou. Vamos achar novas formas de trabalhar e de utilizar o espaço publico”, avisou o economista.

Entretanto, o mundo pós-pandemia também tem grandes incertezas: em meio a uma corrida armamentista entre a indústria farmacêutica e o vírus, há um alto poder de transformação. “Como saem as economias depois de passarem pela UTI?”, questiona Gianetti. Ele fez um paralelo com um doente que passou por tratamento, com aparelhos de suporte e impacto das medicações. A dúvida é saber como ele atravessa o período de convalescença e isso vai acontecer também com a política e a economia dos países.

O comportamento humano, depois de uma grande adversidade e incertezas, pode seguir duas tendências: primeira, diante da incerteza, o reforço do comportamento prudencial, pensando com cuidado antes de qualquer comprometimento; a outra é que o ser humano, por impulso natural, demanda algum extravasamento quando as coisas voltam a alguma normalidade. Podemos viver um período de exuberância para agarrar as oportunidades que não sabemos se teremos pela frente”, comentou Gianetti.

No Brasil, o que chama a atenção são duas coisas: economia com inflação alta, acima de 10% e, ao mesmo tempo, uma economia em estagnação. O que os economistas chamam de estagflação, com desemprego dramático. O emprego voltou para a população com maior escolaridade, mas não voltou para os mais desfavorecidos. “Outro ponto que chama a atenção é que tivemos período de valorização das commodities (o que é bom para o Brasil), mas que veio acompanhada de uma forte desvarolização cambial, com o Real perdendo quase 30% do seu valor durante a pandemia”.

Para conter a inflação, o BC vem promovendo o aumento da taxa de juros, no momento em que o estoque da dívida cresceu. O pagamento de despesas de juros passa de 5%, em 2020, para 8%, em 2022. A conta de juros do Governo é da ordem de R$ 750 bi anuais.

“2022 será um ano de grande volatilidade, tanto pela instabilidade financeira quanto por ser um ano de eleições. Ninguém vai morrer de tédio neste ano”, previu Gianetti.

SAÚDE

Margareth Dalcomo lembrou que a história do homem se pauta pelas pandemias, desde antes de Cristo. O homem tEm a chance de sair um pouco melhor da crise, olhando para o outro.

“A pandemia nos lembrou que outras podem vir. Eu tenho medo de epidemias, porque o homem trata muito mal o planeta. O maior celeiro da doença não é a China, mas a Amazônia, de onde pode sair a próxima pandemia global”, antecipou Dalcomo, lembrando que tivemos que uma epidemia de febre amarela em zona urbana por conta da queda da barreira de florestas ciliares na zona rural.

Estamos vivendo uma epidemia de transmissão respiratória, que se interrompe pela vacina, que foi resolvida pelo homem, sem burlar nenhuma etapa, com quase duas dezenas de vacinas sendo desenvolvidas em menos de um ano.

Dra. Margareth declarou que a cepa ômicron “pode ser o início do fim, mas temos que ter vacina de nova geração, tratamento precoce para aplicar nos casos confirmados, testagem em massa e investimento em ciência”, ressaltando que já há estudos publicados sobre tratamento precoce de comprovada eficácia, diferente daqueles recomendados no início da pandemia.

Potencialize

Pensado para levar capacitação e conhecimentos para a força de vendas da MAG Seguros, o Congresso Potencialize seria realizado presencialmente, a princípio. Entretanto, com o avanço da cepa ômicron e o aumento dos casos de Covid-19, a MAG Seguros optou pela realização do evento de forma virtual.

Kelly Lubiato
Revista Apólice

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