27/06/2022

Fiz um plano de saúde por adesão pensando que era individual. E agora?

Uma prática muito comum é a contratação de um plano de saúde por adesão, como se fosse um plano individual. Mas, você sabe porque isso pode ser um grande erro?

Segundo dados divulgados pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), cerca de 36,49% dos beneficiários de planos empresariais e por adesão tiveram reajuste de até 28%, em 2020. Com isso, já podemos entender que a contratação do plano por adesão pode trazer um grande prejuízo ao consumidor.

Outra pesquisa, realizada pelo Instituto Brasileiro de Defesa de Consumidor (Idec), apontou que cinco operadoras de planos de saúde empresariais e por adesão, com maior volume de reclamações no instituto, no período entre 2015 e 2020, tiveram reajustes muito acima da média do valor máximo estabelecido pela ANS.

Ronaldo Bispo, CEO da RSIM Consultoria, empresa especializada na comercialização de planos de saúde, alerta ainda para os riscos que devem ser evitados na contratação de um novo plano. “Por se tratar de um serviço tão importante e cuja utilização envolve um momento delicado como o atendimento médico, é fundamental que a pessoa pesquise muito, se informe sobre a empresa e, se necessário, procure um profissional para esclarecer suas dúvidas, antes de assinar o contrato. Porque a pior coisa é comprar ou contratar algo e depois se arrepender”, explica o executivo.

Plano individual x plano por adesão

A contratação do plano de saúde individual é feita diretamente com a operadora e seu reajuste anual tem como base o índice da ANS.

Já o plano de saúde por adesão é uma forma de contratação realizada em grupos, por pessoas que têm um vínculo de trabalho em comum, sendo feito por meio de entidades de classe e sindicatos que, eventualmente, oferecem o benefício como uma contratação individual.

“Em geral, os planos de adesão costumam sofrer reajustes 50% acima dos reajustes aplicados aos planos individuais, o que pode ser muito prejudicial para os beneficiários, visto que em 2021 o reajuste dos planos individuais foi de – 8,19%”, completa Bispo.

Segundo o especialista, essa modalidade de contratação implica em outras questões que podem ser bastante prejudiciais aos beneficiários, como os reajustes e sistema de contratação.

Isso porque os planos por adesão não têm seu reajuste definido pela ANS, mas de acordo com a sinistralidade da carteira de clientes, o que acaba tornando o aumento muito maior do que no plano individual.

“Os planos por adesão são comercializados por administradoras de planos de saúde, que fazem a administração da carteira da operadora, repassando os reajustes aos seus participantes. Desta forma, o reajuste é realizado de acordo com a carteira da entidade, e é aí que mora o perigo.”

Ele destaca ainda que, no plano individual, quem define o reajuste é a ANS e não a operadora. Por isso, o reajuste regulamentado fará com que o plano esteja mais blindado aos aumentos abusivos, garantindo mais segurança aos beneficiários.

“Para fazer a melhor escolha de um plano de saúde que atenda as necessidades, sem surpresas, o ideal é procurar uma consultoria que possa ajudar a definir a melhor opção de acordo com o perfil de cada cliente, pois hoje existem muitos vendedores e poucos consultores qualificados e prontos para realizar um atendimento adequado em benefício do cliente”, conclui o executivo.

N.F.
Revista Apólice