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EXCLUSIVO – O conceito de sustentabilidade nunca foi tão discutido dentro das organizações como atualmente. Executivos do mundo todo estão cada vez mais ligados na agenda ASG, adotando práticas para agregar valor às suas marcas ao longo prazo. Esse e outros aspectos foram abordados na Conseguro 2021 na manhã desta terça-feira, 28 de novembro, durante o painel “ASG: A agenda do futuro já começou”. Participaram do debate Cindy Shimoide, head of Multi-Asset Portfolio & Investment Consulting for Latin America da BlackRock; Carlo Pereira, diretor executivo da Pacto Global da ONU; Caio Magri, diretor Presidente do Instituto Ethos; e Rogerio Studart, senior fellow do CEBRI (Centro Brasileiro de Relações Internacionais).

A conversa foi moderada por Marcio Coriolano, presidente da CNseg (Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização). Na abertura do painel, Coriolano afirmou que embora a pandemia tenha acendido um alerta na sociedade sobre as questões ASG, o mercado de seguros há anos vem prestando atenção no desenvolvimento sustentável do setor. “Uma das ações da nossa indústria foi a criação dos Princípios para Sustentabilidade em Seguros (PSI), uma iniciativa que visa contribuir em nível mundial na integração efetiva das questões socioambientais e de governança na estratégia, auxiliando na tomada de decisão das seguradoras, corretoras e seus clientes”.

Cindy comentou durante sua apresentação sobre como a BlackRock vem atuando na defesa da adoção de critérios ASG na definição dos portfólios dos seus clientes. Segundo ela, a sustentabilidade impacta diretamente o mercado de investimentos e deve ser colocada no centro de todos os processos. “A ideia agora é olhar para métricas de sustentabilidade não-financeiras, e o ASG trás esses insights, inclusive apresentando melhores índices nas corporações. Devemos ter a sustentabilidade no centro de tudo o que a gente faz e acredito que o setor de seguros é um dos grandes parceiros dessa missão”.

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Apresentando um resumo da evolução do tema ASG nos últimos anos, Magri disse que o Ethos está revendo alguns indicadores relacionados à estratégia ASG para promover o controle social consciente da responsabilidade nas empresas. “Passamos por várias mudanças nas métricas para medir mudanças climáticas e no monitoramento de impacto social e ambiental, com novas metodologias. A cultura de indicadores que cria materialidade é muito importante, promovendo a real transparência das empresas baseada na capacidade tecnológica.”

Pereira destacou durante o painel que é necessário que o Brasil e o mundo desenvolvam uma agenda focada desafios enfrentados pela população, auxiliando no amadurecimento de diversos setores e mobilizando e engajando toda a sociedade. “As empresas e o mercado financeiro estão refletindo esta pressão da sociedade. Antes, era difícil reunir CEOs em defesa desta agenda. Hoje, não há qualquer desafio nesse sentido. O consumidor mudou, principalmente com a pandemia, e por estar mais ligado às questões de sustentabilidade irá procurar por empresas que adotem às práticas ASG”.

O senior fellow do CEBRI defendeu a idéia de que uma agenda ASG, desde que bem estruturada, pode ajudar país a sair da crise atual, marcada por baixo crescimento e desemprego elevado. “Temos uma enorme capacidade e instrumentos para enfrentar esse tipo de crise. Precisamos que as lideranças políticas tenham a visão de ampliar e fazer surgir projetos sustentados, além de um setor financeiro disposto a investir e utilizar instrumentos de mitigação de risco. Outros problema é a falta de acesso a financiamento de longo prazo e a excessiva dependência ao setor agroexportador. Vários países, como a China, já colocaram a agenda de sustentabilidade como eixo de seu crescimento. O Brasil precisa fazer o mesmo”, ressaltou Studart.

Nicole Fraga
Revista Apólice

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