EXCLUSIVO – Com o objetivo de apresentar as perspectivas econômicas do Brasil para os próximos anos, foi realizado hoje, 27 de setembro, na Conseguro 2021, o painel “Três visões para o Brasil de amanhã”. Participaram do debate Marcos Lisboa, diretor presidente do Insper; Marcio Holland, professor da FGV; e Carlos Kawall, diretor do ASA Investments. A conversa entre os economistas foi moderada por Marcio Coriolano, presidente da CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras).

Segundo os especialistas reunidos na Conseguro durante a manhã desta segunda-feira, mesmo com um cenário desfavorável, com a inflação e juros com níveis altos, além do câmbio e problemas estruturais graves, o Brasil pode crescer mais do que os 1,5% previstos para 2022. “Desde pelo menos 2008 o Brasil tem vivido vários choques, externos e internos. No curso inicial deste governo, havia a expectativa de reformas estruturais que ancorassem um ciclo virtuoso fiscal e monetário. Ocorre que veio a pandemia, crises institucionais e reposicionamentos globais”, disse Coriolano.

Para Holland, não foi necessariamente a pandemia a causadora das dificuldades que o Brasil enfrenta atualmente. De acordo com o professor, as questões demográficas e as mudanças climáticas vão mover a economia brasileira e mundial e precisarão ser prioritárias dentro da política pública, garantindo um crescimento estável para o país. “Precisamos pensar em políticas de proteção social, além de elaborar uma agenda de reformas focada em diminuir a desigualdade social através da educação e gerando oportunidades de investimentos. Onde temos problemas, há grandes chances de surgirem novas ideias e bons negócios”.

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Kawall afirmou o Brasil dependerá da economia mundial, que deverá crescer menos em 2022 e mostra um certo arrefecimento nos Estados Unidos. “Não podemos descartar a hipótese de um crescimento zero. Como 2022 será ano eleitoral, existe a possibilidade de expansão de gastos e de investimento, o que seria um contraponto no ano que vem, embora algo de curto prazo. Além disso, o ponto de atenção é a China, que deseja crescer com mais qualidade e coibir excesso de crédito. O país está de olho na especulação imobiliária. É um ingrediente novo no contexto da economia global. Para nós, que temos uma dependência grande da China, é importante levar isso em consideração”.

O diretor presidente do Insper acredita que o baixo crescimento do Brasil nos últimos 50 anos foi influenciado pela baixa produtividade, pois os problemas do país, que se destaca pelo baixo grau de efetividade dos gastos públicos, vão muito além da macroeconomia. “É uma ilusão achar que, para crescer, basta investir. O resultado do investimento depende de  vários fatores. Para atrair investimentos, precisamos de agências regulatórias mais atentas, contratos mais claros e mais segurança jurídica. Vamos fazer as reformas como devem ser feitas ou vamos ficar cada vez mais pobres? Esta é uma questão que a sociedade terá de endereçar”, ressaltou Lisboa.

Ao final do painel da Conseguro, Coriolano pontuou que, mesmo nos períodos mais difíceis como o que estamos vivendo agora, com queda do PIB, o mercado segurador teve taxas de crescimento acima da média de outros setores. “Em julho chegamos com o mesmo ritmo de desenvolvimento pré-pandemia. Vida e saúde lideram. No entanto, o setor necessita de um cenário macroeconômico com queda de inflação, que traz fôlego de renda aos consumidores, e queda da taxa de juros, que estimula a tomada de empréstimos. Se tivermos isso, seguiremos na trilha de crescimento registrada nas últimas décadas”.

Nicole Fraga
Revista Apólice

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