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O painel organizado pelo Sindseg PR/MS (Sindicato das Seguradoras do Paraná e Mato Grosso do Sul) mostrou que as perspectivas econômicas para 2021 não são muito animadoras. O jornalista Carlos Alberto Sardenberg, em sua analise inicial, disse que vivemos uma fase de queda, ao contrário do início do ano, quando estávamos otimistas com a inflação baixa, taxa de juros baixa, que favoreciam a abertura e a tomada de créditos e investimentos contando com a perspectiva de vacinação.

“Os agronegócios “bombaram” a exportação, com a retomada da negociação de commodities. Uma consequência disso, que começou a nos atrapalhar, foi a alta dos preços e do dólar. Antes, havia um cenário internacional de desvalorização das moedas. Entretanto, no Brasil, a inflação provisória acabou se tornando uma inflação persistente”, explicou o jornalista.

Um choque inflacionário, como a alta dos alimentos, reflete um momento e não deve ser combatida, conforme rege a cartilha do Banco Central. “O problema é que tivemos uma sequência de choques: preços dos combustíveis (alta petróleo e dólar caro) e crise hídrica (reservatórios em níveis mais baixos do que em 2001)”, mostrou Sardenberg.

A prévia do Índice de Preços ao Consumidor deu mais de 9% em julho. É verdade que a inflação é alta no mundo inteiro, porque houve recuperação de preço na volta da economia. “A nossa média esta alta e temos mania de indexar preços pela inflação. Estamos com um problema que pela perspectiva dos agentes econômicos deve chegar ao final do ano entre 7,5% e 8%”, previu Sardenberg, acrescentando que a previsão de crescimento está caindo e agora está em torno de 5%. Para 2022, o dólar permanece alto e o crescimento do PIB volta para a casa de 2%, o nível natural de crescimento sem as reformas administrativas e tributária. Se elas acontecessem, a capacidade subiria para cerca de 4%.

O presidente da CNseg, Marcio Coriolano, lembrou que o mercado se move pela produção, o emprego e a renda, atendendo a estes pilares. Apesar dos ciclos econômicos, o mercado de seguros teve sempre uma atuação anticíclica. Até 2019 crescia a mais de 12,3%, descontando uma inflação de cerca de 4%. A pandemia trouxe a crise de mobilidade, e o mercado chegou a crescimento de 1,3%, com inflação de quase 5%.

“O sentimento de risco aumentou muito com a pandemia. O Open Insurance implica em transação entre as partes, é um marketplace em que todos já atuam. Não se vislumbra uma dificuldade grande, como as instituições financeiras que estão se agregando para entrar no open finance. Isso não virá para mudar muita coisa no mercado”, enfatizou o executivo.

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Para ele, no Open Insurance queremos a proteção total dos dados dos segurados, porque é um patrimônio das seguradoras, que investiram nesta captação e também na proteção dos consumidores.

Ivan Gontijo, presidente da Bradesco Seguros, disse que o Sandbox está interligado com o Open Insurance e com a proteção de dados. O Open Insurance tem dois aspectos importantes: já é realidade, mas ainda existe a preocupação com a governança e a proteção dos dados, com o consentimento do consumidor. “É fundamental que o consumidor cristalize a sua vontade de participar, em que nível, condições e para quais objetivos”, sentenciou Gontijo.

Ele fez questão de renovar o seu compromisso com o corretor de seguros, reafirmando a necessidade da sua presença, principalmente em uma semana em que houve tantos questionamentos sobre a participação dos corretores de seguros no Open Insurance.

“A expectativa é que se traga novos produtos e novas formas de oferecer serviços, com ampliação da distribuição, buscando conhecer as verdadeiras necessidades dos segurados para atendê-los da melhor forma”, ratificou o presidente da Bradesco Seguros.

O presidente da HDI Seguros, Murilo Riedel, destacou que um dos maiores ativos do mercado no Brasil é a interação entre os seus entes: empresas, investidores, consumidores, num ambiente transparente. “A transparência das informações do mercado financeiro é uma preocupação mundial e o Brasil é um dos líderes neste sentido”, afirmou Riedel. O mercado de seguros investiu um grande valor na análise das informações financeiras e a transparência saudável gerou, no mercado financeiro, desenvolvimento para criação de produtos e estrutura de análise muito eficiente.

Altevir Prado, presidente do Sindseg PR/MS, destacou que o papel do Sindseg tem sido desafiador, principalmente por conta das reformas dos últimos anos. “O papel principal do Sindseg PR/MS é agregar valor aos seus associados e promover a cultura do seguro, para que ele seja um farol, um balizador para o mercado de seguros. Não podemos cair em modismos, mas temos que promover a inovação, com o cuidado necessário”, concluiu Prado.

Kelly Lubiato
Revista Apólice

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