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De acordo com o “Panorama Econômico e Setorial 2021: perspectiva para o terceiro trimestre”, da Mapfre Economics, área do Grupo Mapfre dedicada a pesquisas e análises sobre seguros, previdência, macroeconomia e finanças, as expectativas econômicas para o Brasil neste ano são de crescimento do PIB de cerca de 5,1% (cenário base), em comparação à queda real estimada em 2020 de -4,4%.

A economia brasileira continua a sofrer um impacto menor do que outros países da região e as perspectivas de crescimento econômico melhoram, mas os níveis de incerteza permanecem.
Ainda de acordo com o estudo, a economia brasileira já apresenta crescimento de 2,2% a / a (com ajuste sazonal), mesmo que o consumo tenha caído -1,7% e os gastos do governo aumentado 4,9% em meio a uma pandemia no país que ainda está com índices oscilantes. A atividade da indústria melhorou, com aumento da produção de 34,7% em abril e há tendência de melhora contínua para os meses subsequentes. O consumo privado no primeiro trimestre ainda estava em queda (-1,7% a / a), mas espera-se uma recuperação significativa nos resultados do segundo trimestre, à medida que as restrições foram flexibilizadas.

Quanto às perspectivas para o ano todo, o levantamento aponta para uma trajetória de evolução. Os índices dos gerentes de compra (PMI, Purchasing Managers` Index) continuam melhorando: compostos em 49,2% (maio), manufatura em 56,4% (junho) e serviços em 48,3 % (maio). “Por todo esse contexto, foi elevada a projeção de crescimento do PIB do Brasil para 5,1% (de 3,6%) para 2021, o que também leva a ajustar a de 2022 para 2,2% (de 2,8%), com expectativa de recuperação do consumo (+ 4,8%), das exportações (+ 5,6%) e forte retomada do investimento (+ 17,3%)”, explicaram no relatório os economistas da Mapfre Economics.

Também no estudo, os especialistas apontam, por outro lado, que a inflação, o impacto da seca sobre os preços da energia elétrica, a alta dos alimentos e as consequentes elevações das taxas de juros podem inviabilizar a recuperação, uma vez que a pandemia segue com rumos indefinidos no País. Da mesma forma, se as medidas de apoio à economia forem prolongadas, podem levar a déficits persistentes e colocar em risco a solvência soberana e, para garantir a solvência no médio prazo, são necessárias mudanças estruturais nos gastos públicos.

Economia global e a inflação “transitória”

Mesmo com tom otimista, a Mapfre Economics manteve inalterada suas previsões para este ano e para 2022, para os quais estimam-se taxas de crescimento de 6% e 4,4%, respectivamente, no cenário base da economia global. Segundo o relatório, espera-se uma forte retomada do crescimento global à medida que a China recupere o impulso e as maiores economias se beneficiem da flexibilização das restrições à atividade e, portanto, da liberalização das demandas domésticas.

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Nos mercados emergentes, o crescimento deve começar a melhorar no segundo semestre do ano. A forte recuperação econômica global impulsionará a indústria de mercados emergentes e suas perspectivas de exportação, em linha com as recentes leituras do PMI, e que os produtores de commodities se beneficiarão do rali dos preços. Além disso, com o aumento das pressões inflacionárias em quase todos os lugares e compensando grandes lacunas de produção, mais bancos centrais estão se tornando agressivos. “Além do Brasil, México e Rússia, em que as taxas de juros mais altas são esperadas até o final de 2021, a Colômbia e alguns países da Europa Central e Oriental também devem reforçar suas políticas monetárias”, comentaram os especialistas.

A melhora nas previsões para a economia mundial a longo prazo é, por sua vez, acompanhada de uma recuperação de preços. Nesse sentido, e para refletir o fortalecimento da recuperação, gargalos da oferta e aumento das pressões de custos, as previsões de inflação estão em média de 3,5% este ano, uma aceleração com poucas comparável por uma década. No entanto, o relatório mostra que essa tendência ainda deverá ser transitória e que, na maioria das economias, o atual aumento da inflação responda a uma dinâmica temporária de oferta e demanda, e que começará a diminuir à medida que o ano de 2022 se aproxima.

Impacto no setor de seguros no Brasil

Os seguros “Não Vida” continuam se recuperando das quedas acentuadas sofridas no primeiro semestre de 2020, uma retomada que começou no segundo semestre do ano, com uma certa reativação do negócio de Automóveis, o mais afetado pela crise. O relatório avalia que a expectativa de recuperação parcial melhora as perspectivas e pode ajudar a amenizar o impacto que a redução acentuada do PIB teve sobre o setor de seguros, que sofreu uma queda em termos reais no ano anterior, como resultado do desempenho dos negócios de seguro de vida.

Num contexto de ligeira melhoria do nível da atividade no Brasil e, sobretudo, do aumento significativo dos preços, os prêmios de seguros Não Vida até o segundo trimestre foram melhores do que o previsto no último relatório, com crescimento de 12% nos primeiros três meses de 2021, levando os economistas a estimarem para o segundo trimestre, crescimento entre 10% e 11%. A visão sobre os níveis de atividade e inflação fizeram os especialistas repensarem o crescimento nominal dos prêmios do segmento Não Vida, ou seja, os atuais índices deverão ajustar para 6% até ao final de 2021, em linha com os indicadores impostos pela política monetária do governo brasileiro.

A partir desse período, dado o previsível melhor enquadramento de atividade e condições financeiras, a Mapfre Economics prevê que, no longo prazo – mais especificamente até 2024 -, o índice de crescimento de prêmios Não Vida seja, em média, de cerca de 8%.

N.F.
Revista Apólice

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