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A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) definiu um reajuste de -8,19% para os planos individuais e familiares. Ao considerar a variação anual dos custos médico-hospitalares, o cálculo do índice foi afetado pelo contexto excepcional da pandemia de Covid-19, que vem provocando grandes oscilações na demanda por atendimentos e nos custos desde 2020.

No momento inicial, o adiamento de consultas e procedimentos eletivos levou à redução momentânea da sinistralidade, especialmente no segundo trimestre. Em 2021, a retomada desses procedimentos e a magnitude da segunda onda de Covid-19, com número recorde de internações e alta nos preços de medicamentos e insumos, acarretaram aumento de gastos e pressionarão para cima o índice de reajuste no próximo ano, também de forma atípica.

Sendo assim, algumas operadoras e entidades que representam a área se posicionaram sobre.

A Unimed do Brasil manifestou preocupação e alerta quanto às consequências para o equilíbrio do setor, em um momento de crescimento das despesas assistenciais. A empresa defende uma solução técnica que traga equilíbrio e previsibilidade no relacionamento entre os beneficiários e as operadoras, em especial neste período ainda crítico. “A redução das mensalidades será um benefício ilusório se inviabilizar a manutenção dos contratos, fragilizar as operadoras, ou inibir ainda mais a oferta de planos individuais e familiares, excluindo o acesso de uma importante parcela da população à saúde suplementar e sobrecarregando, ainda mais, o Sistema Único de Saúde”, disse a cooperativa em um comunicado divulgado à imprensa.

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A FenaSaúde (Federação Nacional de Saúde Suplementar), que representa 15 empresas responsáveis por 40% do mercado de planos e seguros privados de assistência à saúde e exclusivamente odontológicos do país, afirmou que as associadas irão seguir as normas que o órgão regulador do setor estabelece. “Consideramos que o respeito a contratos é valor a ser rigorosamente obedecido numa economia que se pretende forte, saudável e inclusiva. É importante ressaltar que o cenário que levou à inédita aplicação de reajustes negativos nas mensalidades dos planos de saúde individuais neste ano já vem se alterando desde fins de 2020 e, com mais intensidade, no começo deste ano. Além da segunda onda da Covid, que lotou hospitais, os atendimentos a outras doenças atingiram níveis bastante elevados”.

Já a Abramge (Associação Brasileira de Planos de Saúde) informou que independentemente de sua previsão na regulação, a publicação de um índice negativo traz grande preocupações. Segundo a nota divulgada pela entidade, o ano de 2020 encerrou com 124 operadoras de planos de saúde, responsáveis pelo atendimento de saúde de 14,1 milhões de beneficiários, com prejuízo financeiro. “O total recebido por meio das mensalidades dos planos individuais foi inferior ao volume total de despesas no período. A aplicação de um índice negativo ampliará ainda mais esse desequilíbrio, o que poderá condenar permanentemente a existência dessas operadoras e a continuidade desses planos. A segunda onda da pandemia, o retorno da demanda reprimida de procedimentos eletivos e a elevação dos preços de medicamentos e demais insumos, inclusive com aumento de tributação, ampliaram significativamente as despesas, o que impactará fortemente no reajuste de 2022”.

N.F.
Revista Apólice

* Este material ainda está em atualização

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