furtos

Uma análise da evolução do roubo e furto de automóveis, caminhonetes, camionetas e utilitários (que inclui os SUVs), no estado de São Paulo, entre janeiro de 2019 e março de 2021, revelou que a pandemia provocou a queda da criminalidade nesses segmentos. Segundo o Boletim Econômico Tracker-Fecap, que acaba de ser concluído, os roubos caíram 39,4% e os furtos 29,8%, em 2020 na comparação com o ano anterior. No entanto, nos últimos 15 meses, os furtos cresceram de proporção, em relação aos roubos. Os dados foram analisados a partir dos boletins de ocorrência registrados pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo.

O coordenador do estudo e professor do Departamento de Pesquisas em Economia do Crime da Fecap (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado), Erivaldo Costa Vieira, considera três os motivos principais para a queda na criminalidade: “A diminuição de carros nas ruas reduziu a oferta/oportunidade para a indústria do crime. A menor circulação reduziu também o número de acidentes, fazendo cair a demanda por peças e acessórios, principal motivador econômico para o roubo de automóveis no Estado que abastece os desmanches. Soma-se a isso a queda da renda da população e a consequente queda no número de novos veículos nas vias”, analisa.

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Ao todo, foram registradas 58 mil ocorrências de roubo no Estado, entre janeiro de 2019 e março de 2021, sendo 33 mil em 2019, 20 mil no ano passado e 5 mil no primeiro trimestre de 2021. No mesmo período, ocorreram aproximadamente 129 mil furtos: 67,8 mil em 2019, 47,6 mil no ano passado e 13 mil somente nos três primeiros meses de 2021. Segundo o economista, “os furtos registraram uma frequência cerca de 2,2 vezes maior que os casos de roubos. Os delitos cresceram quando as pessoas passaram a se expor mais. O aumento do movimento de ir e vir do trabalho, das compras, do lazer, é acompanhado pelo aumento dos furtos de carros”.

O coordenador de Operações do Grupo Tracker alerta para o risco de os números crescerem nos próximos meses. “Apesar dos índices, de forma geral, serem menores do que no período anterior à crise sanitária, o Comando de Operações Tracker alerta que eles continuam altos. Os furtos em São Paulo mostram uma guinada de crescimento, mesmo em meio à pandemia e, apesar de todos os esforços das autoridades, não será surpresa se, passado o período pandêmico, os roubos e furtos de veículos apresentarem um grande aumento no número de ocorrências”, afirma Vitor Correa.

Roubos

Os modelos e marcas mais visados pelos bandidos são o Onix e o HB20 na categoria automóveis; a Fiorino e o HR na categoria caminhonetes; o Renagade, Compass e Duster na categoria camionetas; e os utilitários Tiguan, Q3 e Hilux.

As cinco cidades com mais ocorrências em 2020 e no primeiro trimestre de 2021 foram São Paulo, Campinas, São Bernardo, Santo André e Guarulhos. “O número de registros está diretamente relacionado ao tamanho populacional e da frota de veículos nestes municípios. Seguindo essa lógica, é possível dizer que a cidade de São José dos Campos se destaca positivamente, pois representa a 5ª maior população de São Paulo e aparece apenas em 13ª no ranking de ocorrências de roubo de carros. Já Diadema, apresenta um dos resultados mais alarmantes. O município da Grande São Paulo é apenas o 14º mais populoso do estado e o 6º que mais registrou ocorrências nos períodos analisados”, destaca o boletim.

Na cidade de São Paulo, os bairros com maior número de boletins foram Sacomã, Ipiranga, Jabaquara, São Mateus e Iguatemi. Os endereços mais perigosos destes bairros são Avenida Almirante Delamare (Sacomã), Rua das Juntas Provisórias e regiões próximas (Ipiranga), Avenida Engenheiro Arruda Pereira (Jabaquara), Avenida Aricanduva (São Mateus) e Avenida Ragueb Chohfi (Iguatemi).

Furtos

Entre os modelos de automóveis mais furtados estão o Corsa, o Mobi e o HB20. Já entre as caminhonetes, aparecem a Saveiro, Fiorino e Montana. Na categoria camionetas as mais visadas são a Kombi, Tucson e Ecosport. Hilux e Tiguan lideram a lista dos utilitários mais visados pelos criminosos.

Segundo o Boletim Tracker-Fecap, além da capital, que lidera o ranking, as cidades com maior índice de furto são Santo André, Campinas, Guarulhos, Osasco e São Bernardo do Campo. São José dos Campos também apresenta um balanço positivo em uma análise apenas sob as óticas populacional e tamanho de frota: 5º maior frota e 9ª posição em furtos.

Na capital, os cinco bairros com mais furtos foram São Mateus, São Lucas, Ipiranga, Itaquera e Vila Prudente. Os endereços mais perigosos são Rua Ângelo de Cândia (São Mateus), Rua Costa Barros (São Lucas), Rua Agostinho Gomes (Ipiranga), Rua Antônio Gandini (Itaquera) e Rua Engenheiro Thomaz Magalhães (Vila Prudente).

N.F.
Revista Apólice

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