capemisa

Tenho acompanhado periodicamente os movimentos dos segmentos econômicos, especialmente do pujante mercado de seguros. Escrevo pujante não à toa, pois somente em dezembro do ano passado esse setor auferiu crescimento na ordem de 15,1%, comparado ao mesmo período de 2019. Na visão anual, houve um crescimento na ordem de 1,3%, com arrecadação em R$273,7 bilhões.

Estamos falando de um ano pandêmico com todos os impactos que essa situação exerce sobre a economia: redução de renda, índices elevados de desemprego, retração no PIB e uma tendência de aumento da inflação. Claro que esses fatores têm peso relevante sobre a performance do setor de seguros, mas que mesmo assim seguiu como um segmento robusto, que demonstrou grande capacidade de adaptação e, principalmente, resiliência.

Ronaldo Dalcin

Iniciamos o ano de 2021 e ainda continuamos tendo boas perspectivas, mesmo sabendo de todos os desafios que temos pela frente, especialmente no que se refere às reformas prometidas pelo governo. Sob a visão de um otimista inveterado que sou, quero aqui trazer uma leitura das boas perspectivas do mercado segurador, apresentando cinco motivos que me levam a crer que o segmento continuará prosperando.

Em primeiro lugar, a pandemia comprovou o quanto somos vulneráveis. Nessa linha, certamente o sentimento de necessidade de proteção ampla e familiar aumentou. Além disso, o consumidor ficou muito mais criterioso e analítico, o que julgo como fatores extremamente positivos. Nos faz sair da zona de domínio (e não acomodação) e convida à inovação, trazendo mais possibilidades aos consumidores.

A tecnologia inclusiva, com o ser humano sempre no centro, veio para ficar. Muitas empresas demonstraram iniciativas interessantes nesse sentido. Prova disso são as insurtechs aprovadas pela Susep (Superintendência de Seguros Privados) via Sandbox, que é um programa que possibilita o recebimento de projetos inovadores, contribuindo para a elevação da participação do mercado segurador no PIB brasileiro.

Outra boa perspectiva para o segmento diz respeito ao marco regulatório do saneamento que prevê investimentos de R$700 bilhões, até 2033, em obras estruturais e que trarão inúmeras oportunidades ao nosso setor. Há, também, a previsão de geração de 700 mil empregos. O SPC (Simplificação, Personalização e Customização), também é uma oportunidade. O cliente quer uma experiência que traga soluções personalizadas, que seja simples, de fácil entendimento e com um proposta de valor (que não necessariamente passa por preço baixo).

Avaliando a participação da nossa indústria sobre o PIB, 6,7%, ainda é baixa se comparada, inclusive, com países vizinhos da América Latina. No segmento de seguros de automóvel, por exemplo, estatísticas apontam que menos de 30% da frota brasileira está segurada. Temos aqui, certamente, grande espaço para evolução, potencializada pelo aumento da bancarização. Aproximadamente dez milhões de pessoas foram bancarizadas nessa pandemia. Tem espaço para crescimento, pois ainda somos 45 milhões (classes C, D e E) de desbancarizados. O setor de seguros colherá bons frutos dessa inclusão financeira, certamente na linha dos microsseguros.

Por fim, levanto a bandeira de que cooperar é sempre melhor do que competir, principalmente em momentos difíceis como este pelo qual estamos passando. Ficou claro que somente com a união e engajamento de todos os agentes desse ecossistema, continuaremos a construir a indústria de seguros brasileira. Tivemos bons exemplos que ficam, também, como legados perpétuos e positivos dessa pandemia.

* Por Ronaldo Dalcin, presidente do SindSeg N/NE (Sindicato das Seguradoras Norte e Nordeste)

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