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EXCLUSIVO – Recentemente aconteceram dois mega vazamentos de dados no Brasil. Em um deles, foram vazados 223 milhões de números de CPFs, acompanhados de informações como nome, sexo, data de nascimento e uma tabela com informações de veículos e CNPJs. O outro incluía, além dos 223 milhões de CPFs, informações sobre escolaridade, benefícios do INSS e programas sociais (como o Bolsa Família), renda etc.

A investigação ainda não foi concluída e não se sabe a origem dos ataques hackers, mas o número de dados vazados ultrapassa a população do País, que atualmente é estimada em 212 milhões, pois inclui informações de falecidos. Para minimizar os efeitos de situações como essa, o seguro cyber pode ser um aliado, pois oferece proteção às empresas e órgãos públicos no que se refere à responsabilidade pelo vazamento de dados, bem como eventuais prejuízos financeiros de ataques cibernéticos.

Entre as coberturas do seguro, estão inclusas investigação forense; extorsão cibernética (ransonware); notificação e monitoramento; restauração de dados eletrônicos; interrupção de rede (lucros cessantes e despesas operacionais); sanções administrativas (inclusive multas) e restituição de imagem da organização. Além disso, o produto cobre a parte de responsabilidade civil e danos a terceiros.

No Brasil, segundo Boletim de Segurança da Karspersky, foram enviados 360 mil novos arquivos maliciosos todos os dias durante 2020, um aumento de 5,2% em relação a 2019. Para Carol Ayub, superintendente de Produtos Financeiros da Tokio Marine, um ataque hacker pode abalar a confiança do consumidor e colocar à prova a reputação da organização. “As empresas passaram a entender a importância da contratação de um seguro como este. Além disso, este tipo de produto é direcionado para Pessoas Jurídicas, incluindo Pequenas, Médias e Grandes empresas. Ou seja, sua cobertura atende desde o micro ao grande empresário”.

De acordo com a FenSeg (Federação Nacional de Seguros Gerais), entre janeiro e agosto de 2020, houve um aumento de 63% na contratação desse tipo de apólice em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando R$ 24 milhões em prêmio. Para Fernando Saccon, que é Superintendente de Linhas Financeiras e Seguro Garantia da Zurich no Brasil, esse crescimento nas contratações é um reflexo da pandemia, visto que muitas pessoas estão atuando em regime home office. “Nossa casa é um ambiente menos controlado quando comparado com o ambiente corporativo, e as pessoas passaram a fazer maior uso de seus dispositivos móveis. Outro fator que influenciou na alta demanda por esse tipo de proteção é a LGPD, que ao ser descumprida pode gerar multas milionárias às empresas”.

Segundo João Fontes, gerente de Linhas Financeiras da AIG Brasil, as seguradoras devem apoiar os corretores e seus clientes em assuntos específicos e nos quais é referência. De acordo com o executivo, agir com rapidez para solucionar o problema e ajudar nos reparos dos danos é essencial. “Infelizmente, a maioria das empresas não tem resposta imediata a um ataque, independentemente do tamanho. Muitas vezes, descobrem que foram atacadas meses depois do ocorrido, quando já é tarde”.

Marta Schuh, superintendente de riscos cibernéticos da Marsh Brasil, afirma que nenhuma ferramenta ou processo pode trazer 100% de eficácia em prevenir um ataque cibernético. Entretanto, oferecer treinamentos e realizar análises detalhadas é fundamental na prevenção de vazamentos de dados “É preciso entender como está a maturidade dos pilares tecnológicos da organização antes da subscrição. Além disso, é importante notar que a tecnologia é evolutiva e os processos/ferramentas precisam ser avaliados de forma contínua ou então se tornam obsoletos”.

Para Mariana Ortiz, head of Cyber Insurance da Generali, essa é uma oportunidade para os corretores se desenvolverem e ampliarem sua carteira, entendendo a aplicação das coberturas, os riscos inerentes a determinadas indústrias e outros fatores. “Este é um produto relativamente novo no mercado segurador e que poucos profissionais se especializaram desde seu lançamento. Não existe ninguém melhor do que o corretor, que desempenha o papel de consultor de proteção, para conscientizar seus clientes sobre a necessidade de proteger os ativos digitais da empresa”.

Nicole Fraga
Revista Apólice

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