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Henrique Bilbao

Já imaginou receber na sua casa as compras dos itens que estão faltando na sua geladeira sem precisar pedir ou lembrar do que comprar? Ou quem sabe receber as notícias que você gosta e precisa ouvir toda manhã para se manter atualizado pelo seu assistente eletrônico como, por exemplo, a Alexa (Amazon), Siri (Apple) ou Google Home? Parece algo distante, mas isto já está acontecendo em algumas casas e a Internet das Coisas (IoT) é a responsável.

A tradução do termo originalmente criado em inglês (Internet of Things ou IoT) por Kevin Ashton, está relacionada ao conjunto de dispositivos digitais que coletam, armazenam e transmitem dados através da internet como, por exemplo, equipamentos industriais e bens de consumo digitais (smart TV’s, máquinas de lavar roupas, entre outros) que citamos no exemplo acima. 

Kevin, pesquisador do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), citou o termo pela primeira vez em 1999 quando estava apenas nomeando uma apresentação no Power Point. O pesquisador contou que precisava dar um nome “familiar e ao mesmo tempo intrigante” a uma apresentação que faria a P&G (Procter & Gamble) onde apresentaria uma ideia de criar uma rede de sensores para captação de dados. 

Embora o conceito já tivesse sido dito pela primeira vez lá em 1999, foi em 2013 que ele começou a se disseminar pela internet e se tornar termo de explicação deste conceito.

O que o mercado de seguros tem a ver com a Internet das Coisas?

A partir do conceito de IoT uma simples palavra pode transformar, e muito, a visão estratégica de muitos negócios, incluindo o mercado de seguros: dados. São eles os responsáveis pela amplitude de oportunidades para que novos negócios e soluções tecnológicas cheguem ao mercado de corretoras para beneficiar a experiência do cliente final e também os resultados corporativos. 

Tendo mais conectividade, o recebimento e armazenamento dos dados dos seus clientes será uma arma fundamental para otimizar seus processos de monitoramento e oferecer um serviço mais completo para os usuários. Desde o monitoramento do status dos sensores de incêndio nas casas e empresas, carros que poderão enviar informações sobre o tipo de uso do cliente, possibilitando gerar scores (índices) de motoristas mais cuidadosos e dos aventureiros, ou ainda no segmento de automóveis, o controle se a manutenção está em dia ou não, poderá ser registrado pelo carro e informado à seguradora.

Na área de seguro de vida, por exemplo, geladeiras inteligentes poderão informar os tipos de alimentos mais consumidos conforme registros de compras, assim como os wearables (dispositivos “vestíveis” como o smartwatch, por exemplo) poderão informar a frequência de ida em academias e, portanto, um maior cuidado com a saúde.

Estes são apenas alguns exemplos de dados que poderão, através da internet das coisas, ser facilmente acessados e armazenados, permitindo que seguradoras possam adequar seus planos conforme os riscos de acidentes, podendo assim precificar de forma mais adequada para cada comportamento do usuário.

Já para corretores, os dados possibilitam conhecer melhor o perfil dos seus clientes e direcionar suas soluções de seguros de forma mais assertiva, focando em determinados públicos que tendem a gerar menos sinistros e assim permitir comissões mais interessantes.

E a Lei Geral de Proteção aos Dados (LGPD)? 

É claro que todas estas inovações carregam consigo grandes discussões éticas. Compreender e definir como esses dados serão tratados à medida que dispositivos variados estarão conectados é uma grande pauta ainda pendente. Porém, a visão de que a teoria está cada vez mais próxima da realidade é uma adoção gradativa, começando com informações mais simples, como hábitos de uso de um carro, por exemplo, algo como já acontece com o uso de smartphones.

Independente da sua aplicação, o objetivo da Internet das Coisas é simples: criar funções automatizadas que tragam benefícios significativos para o comprador e um impacto positivo para a economia global, incluindo o mercado de seguros. Entende-se que esta mudança está longe de ser fácil, mas a confiança em investir em melhores infraestruturas e na ciência de dados será essencial para este avanço.

* Por Henrique Bilbao, CEO da Ezok Inteligência Artificial

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