cassino no Brasil

Jogar no cassino (tal como acontece legalmente na maioria dos países do mundo, em especial entre os membros da OCDE) é naturalmente um risco para o jogador. Esse é o “contrato” de base: o jogador arrisca seu dinheiro em troca da possibilidade de ganhar mais do que perde. A casa é transparente quanto às suas possibilidades: o objetivo do cassino é conseguir receita com lucro, pelo que deverá sempre ganhar mais dinheiro do que paga em prêmios. Em um cassino online (o único meio de jogar legalmente no Brasil, quando o site esteja baseado em um país estrangeiro) não é diferente. 

Seria naturalmente absurdo pensar em um produto de seguro para jogadores de cassino que quisessem cobrir suas perdas no jogo. Mas se pensarmos da perspectiva das empresas de cassino, o cenário é diferente.

Produtos específicos para empresas

Nos Estados Unidos é habitual que as empresas de cassino contratem seguros para se defenderem dos riscos de sua atividade. Não se trata de pagar mais em prêmios do que recebem; isso seria o mesmo que um supermercado vender seus produtos por um preço menor que aquele que paga a seus fornecedores.

Os cassinos americanos contratam habitualmente seguros pelas mesmas razões que outras empresas: proteção contra imprevistos técnicos (desastres, problemas técnicos) e danos de origem humana (roubos, ações de batota por parte dos clientes, desvios cometidos por funcionários, etc.). 

Produto desnecessário no Brasil?

Quase nem valeria a pena acrescentar que este produto não é necessário no Brasil, pelo fato de a atividade dos cassinos ser proibida em território nacional. Mudanças poderão ocorrer em um futuro próximo, mas as seguradoras nacionais terão muitas dificuldades em conseguir conquistar esse mercado.

Várias notícias dão conta da intenção do governo de avançar com a liberação dos cassinos sob o esquema de “resorts turísticos integrados”. A intenção é estimular a indústria turística, lançando os cassinos como ferramenta de atração de visitantes. Com esse objetivo, o número de cassinos será severamente limitado. O projeto de lei apresentado pelo senador Irajá (PSD-TO) prevê que seja possível licenciar um cassino por estado, por um período de trinta anos, sendo que um segundo cassino poderá entrar em funcionamento dez anos depois do primeiro, mas não mais que isso. O resort só poderia dedicar 10% de sua área às salas de jogo.

O ministro da economia Paulo Guedes vem falando da necessidade dessa mudança histórica no entendimento do jogo na sociedade brasileira. Os dois ministros do Turismo do governo Bolsonaro (tanto o anterior, Marcelo Álvaro Antônio, como o atual, Gilson Machado) também foram bastante claros sobre essa orientação

Caso só seja possível um cassino em cada estado, os “players” estrangeiros terão uma grande vantagem sobre os nacionais. É bem conhecido o interesse de Sheldon Adelson, o maior empresário mundial do setor dos cassinos (validado pela revista Forbes), no investimento nos cassinos no Brasil. Ele já esteve pessoalmente em visita ao Rio de Janeiro e a São Paulo falando com os responsáveis no terreno, notavelmente o ex-prefeito carioca Marcelo Crivella. Em qualquer concurso público, será difícil aos concorrentes competir com os meios financeiros de Adelson e a experiência profissional de seu grupo empresarial. Adelson não só está presente em Las Vegas, mas também em Singapura; seu Marina Bay Sands é frequentemente apontado como o modelo ideal para os futuros cassinos brasileiros.

Mas isso não significa que Adelson “pegue” todas as licenças de futuros cassinos no Brasil. Os estados do Sul e a Bahia estão especialmente entusiasmados com a possibilidade. No limite, se cada estado avançar para a instalação de seu resort integrado, as companhias de seguros nacionais deverão estar atentas.

K.L.
Revista Apólice

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