A seguradora americana MassMutual, fundada em 1851 e uma das mais antigas dos Estados Unidos, comprou US$ 100 milhões em Bitcoin para sua carteira de investimentos. O negócio, de acordo com o MoneyTimes e citando o Wall Street Journal, foi feito recorrendo aos serviços da Nydig, uma financeira especializada em trading de Bitcoin.

O MoneyTimes acrescenta que a seguradora comprou “uma participação de US$ 5 milhões na Nydig”, o que reforça o caráter de colaboração muito próxima entre as duas empresas. O MoneyTimes cita declarações do CEO da Nydig, esclarecendo que a seguradora tem sido um ótimo cliente; que a exposição da seguradora ao Bitcoin, sendo pequena, vem responder à diversificação crescente dos mercados financeiros, e que a MassMutual tem uma história de inovação e liderança em seu setor, pelo que o passo não surpreende.

As criptomoedas e o futuro

Após dez anos de funcionamento, uma coisa é inegável: as criptomoedas são mais um elemento do cenário geral de investimento em ativos financeiros. A Bitcoin foi a primeira das novas moedas eletrônicas baseadas em tecnologia “blockchain” e seu valor tem sido alvo de intensa especulação, tanto nos gráficos das bolsas de “trading” como nas conversas entre especialistas. Vários setores, como os cassinos online e outros negócios de natureza transnacional e baseados na internet, têm sido rápidos a adotar o uso da Bitcoin. Algumas autoridades nacionais toleram a moeda, como é o caso da União Europeia e dos Estados Unidos; outras combatem-na, mas reconhecem seu potencial e estão avançando com sua própria criptomoeda, como é o caso da China; outras ainda usam-na para driblar outros problemas financeiros, como é o caso da Venezuela.

Novo pico, depois de 2017

As críticas mostram que a criptomoeda é um ativo especulativo e um esquema de pirâmide, uma vez que não dispõe uma autoridade monetária central regulando seu valor. Contudo, ao fim de mais de uma década de funcionamento, está ficando claro que a independência em relação a autoridades monetárias é precisamente o que está dando força ao Bitcoin, que está se comportando como o ouro: um ativo de reserva para tempos de incerteza. No final de 2017 o Bitcoin chegou a valer $20.000 e os mais críticos apostaram que a “bolha” estava próxima de rebentar. Mas se é certo que perdeu muito de seu valor nos primeiros meses de 2018, a verdade é que não voltou a descer abaixo dos $3000 – um valor mais alto do que os máximos que havia alcançado no início de 2017. Não se tratou de uma “bolha”, mas sim de uma correção natural do mercado.

O Bitcoin está novamente atingindo os 20.000$, mas dessa vez já ninguém espera o fim súbito da criptomoeda – somente uma possível correção em um futuro próximo.

Um passo pequeno mas simbolicamente importante

É importante notar que o investimento em Bitcoin feito pela MassMutual representa apenas 0,04% de seus fundos totais. Em 30 de setembro, de acordo com a notícia da Bloomberg, a carteira de investimento total da seguradora americana era de $235 bilhões. A representante da empresa, Chelsea Haraty, reforçou a ideia de que este é “um primeiro passo, e que, como em qualquer outro investimento, a empresa estará atenta a oportunidades de futuro”.

Sediada no estado de Massachussetts, a Mass Mutual é especializada em seguros de vida. Tem cerca de 7000 funcionários nos Estados Unidos (um pouco mais de 10.000 à nível mundial) e conta com cerca de cinco milhões de clientes.

K.L.
Revista Apólice

 

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