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EXCLUSIVO – Quando falamos sobre proteção para pessoas e bens materiais as necessidades vão mudando a cada fase da vida. Com a pandemia da Covid-19 a digitalização dos negócios no mercado de seguros foi acelerada, o que fez com que o setor tivesse de se adaptar para oferecer soluções que atendessem aos novos hábitos de consumo. Sendo assim, quais são as tendências que devemos observar no mercado ao longo dos próximos anos?

Diminuição da burocracia

Muitas pessoas afirmam deixar de adquirir uma apólice de seguro pelo fato de ser um ser um processo burocrático. Algumas seguradoras mais tradicionais pecam nesse requisito, impondo uma série de complicações, o que é negativo para as empresas e para o setor, que acaba não aumentando o seu nível de penetração.

Entretanto, com o surgimento das insurtechs a burocracia está deixando de fazer parte da realidade do mercado, pois muitas delas oferecem ferramentas que agilizam a compra de um seguro pela internet para que qualquer pessoa, de qualquer lugar no mundo, possa se proteger. Segundo Renato Pedroso, CEO da Previsul Seguradora, as insurtechs estão trazendo inovações importantes para o setor, inclusive contribuindo em mudanças no aspecto regulatório. “Acredito que o mercado segurador já estava caminhando rapidamente para uma onda de digitalização da relação de consumo, mas a chegada dessas startups certamente acelerou esse movimento, o que é benéfico para o consumidor, corretor e seguradora”.

Novos players na distribuição

Recentemente diversas fintechs começaram a investir no mercado segurador e firmaram parcerias com seguradoras. Uma delas foi a Nubank, que agora passou a oferecer seguro de vida em sua plataforma em parceria com a Chubb Seguros, disponibilizando para seus clientes um produto cujo gerenciamento é 100% digital e todo o processo de contratação, incluindo a simulação e confirmação do serviço, leva menos de um minuto.

Para Marcio Wu, superintendente de Worksite da Marsh Brasil, a existência de maiores possibilidades de modelos de negócios é extremamente positiva para o mercado, pois são criadas novas formas para atender os usuário. “Enxergamos essa tendência de forma muito otimista, pois a nossa proposta de valor vai muito além da tradicional colocação de riscos. Provemos um leque de serviços de alto valor agregado como consultoria, colocação de riscos, plataformas de tecnologia, gestão de operações e de programas. Ou seja, além da tradicional corretagem de seguros, nós provemos todas as ferramentas às empresas e clientes para a implementação e gestão de produtos de seguros em sua estratégia de negócios”.

Marketplace de seguros

Outra tendência que irá dominar o mercado são as seguradoras investindo no e-commerce e montando o seu próprio marketplace. Dois grandes benefícios desse movimento são o desenvolvimento de produtos de alto valor percebido, o que pode ser um diferencial na concorrência, e uma fonte adicional de receita, visto que através do marketplace é possível alcançar um maior número de pessoas e oferecer um leque de proteções ideais para aquele consumidor que está acessando a plataforma.

“A digitalização se tornou um direcionamento estratégico e, com isso, a empresa está se moldando para, cada vez mais, trazer agilidade para os seus clientes e parceiros. Uma forma de fazer isto é investindo em esse tipo de plataforma, na qual o cliente terá uma alta gama de soluções para proteger-se contra diversos riscos”, diz Lucía Sarraceno, superintendente de Canais Digitais e Relacionamento com o Cliente na Zurich.

Uso da Inteligência Artificial na precificação

Para vender uma apólice de seguro, antes de tudo a seguradora precisa fazer uma análise do cliente para entender um pouco mais sobre ele e, assim, precificar o produto. Uma maneira de realizar essa análise comportamental é através da Inteligência Artificial, na qual são gerados algoritmos baseados no cotidiano daquela pessoa. Com esses dados, as companhias do mercado segurador poderão entender melhor o perfil de cada segurado, personalizar os planos e oferecer benefícios.

Para Marcos Sirelli, diretor de TI da Porto Seguro, o uso da Inteligência Artificial aplicada aos negócios se tornou indispensável. “Ao conhecer melhor nossos clientes e potenciais clientes podemos aprimorar e personalizar os serviços oferecidos. Os consumidores estão cada vez mais exigentes e conectados com as marcas. Quem quiser se destacar em meio à concorrência precisa investir em tecnologias como essa. Além disso, esse tipo de ferramenta ajuda na prevenção à fraude no momento do sinistro, o que evita que a empresa pague por algo que não está coberto pela apólice contratada”.

Nicole Fraga
Revista Apólice

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