pix

Criado pelo Banco Central, o Pix entrou em vigor em 16 de novembro, trazendo em seu escopo a promessa de transferências bancárias instantâneas realizadas por meio de uma chave, que pode ser uma senha ou um número de telefone celular.

No mercado de seguros, esta nova possibilidade de pagamento abriu um novo leque de possibilidades, que acrescenta agilidade, segurança e rapidez para as transações do mercado. Por outro lado, ele também acrescenta novos riscos às empresas que o utilizam, aumentando a exposição aos riscos cibernéticos e também a adequação à Lei Geral de Proteção de Dados.

O Pix é visto como um processo de evolução do sistema de pagamentos do Brasil, porque traz muita agilidade e segurança ao processo de transferência de recursos de uma pessoa física para ou-
tra, ou para jurídica etc. “A transferência financeira será realizada de maneira mais barata. As pessoas físicas sofrem, seja pela limitação de transferência de recursos ou pelo custo das operações. O Pix vem para transformar isso”, comemora Alexandre Girardi, diretor Executivo Financeiro da Sabemi.

No caso da Sabemi, a empresa está prestando todas as informações possíveis para a sua comunidade, no sentido de distribuir a cultura do seguro como forma de mudar vidas. “No primeiro momento, estamos divulgando uma série de informações. Em um segundo momento, enxergamos a possibilidade de oferecer mais agilidade aos clientes no pagamento de sinistros, os beneficiários etc. Toda vez que tivermos conhecimento da chave Pix dos segurados podemos agilizar o pagamento”, anima-se Girardi.

Os prêmios de seguro também serão mais facilmente conciliados pela seguradora, garantindo que a cobertura do segurado seja mais ágil também.

Um dos pontos chave do contrato de seguro é o pagamento do prêmio, porque a geração de boleto bancário, por exemplo, é caro. A chegada do Pix reduz infinitamente o valor da cobrança, o que possibilita a criação de produtos de seguro com tíquete mais baixo.

O Pix será a demonstração não apenas do ato regulatório do Banco Central, que vai permitir fazer várias coisas, mas também é um projeto digital no mercado que pode ser tangibilizado na prática por qualquer brasileiro como forma de pagamento, seja de pessoa física ou jurídica.

Quando se fala de segurado, corretor e seguradora, para eles, em essência, esta é apenas mais uma forma de pagamento além do cheque, TED, DOC, dinheiro, boleto bancário ou cartão de crédito. “A
questão é que os pagamentos agora vêm acompanhados de mais comodidade na prática e maior redução de custos para a empresa”, corrobora Fabiano Ferreira, diretor executivo da Wiz B2Digital.

O Pix é rápido, pois 90% das transações são feitas em até 10 segundos. Ele pode ser feito de qualquer dispositivo eletrônico, com uma chave que pode ser número de telefone, e-mail ou senha.

Para os corretores e para as seguradoras, além da comodidade, há ainda o fator dos metadados que vêm junto com a transação do Pix. “No momento do negócio, é posição para a seguradora conciliar mais rapidamente e com uma série de informações sobre a pessoa, um conjunto de informações que não passam por outras formas de pagamento. Isso enriquece a transação”, acredita Ferreira.

Com o Pix, ao montar uma insurtech, a forma de cobrança atual é através de débito em conta ou cartão de crédito, o que implica em convênios com várias instituições financeiras.

O Pix já nasce integrado a todo o sistema financeiro nacional. Ele elimina o ônus de ter que realizar registros em várias instituições financeiras diferentes. Ele vai evoluir para ser recorrente, por isso, com os dois elementos (controle de conciliação e sem necessidade de convênios) é possível reduzir custos das seguradoras.

A facilidade para fazer cobranças é fundamental para a evolução do mercado de seguros.

Desafio

O maior deles é a sua operacionalização, sem dúvidas. As seguradoras precisaram se ajustar a partir de 16 de novembro, com capacidade para fazer a cobrança via Pix. As integrações precisam ser feitas com o arranjo financeiro.

“Já acompanhamos várias discussões e vemos que algumas empresas só terão condições de estar operacionais a partir do primeiro semestre, o que pode prejudicar uma ou outra operação de seus produtos”, sentencia Ferreira. Para ele, o brasileiro vai adotar esta modalidade, em longo prazo.

Ferreira adverte que o Pix é apenas a ponta do iceberg, que entra na vida financeira das pessoas agora, porque ele nada mais é do que uma nova modalidade de pagamento. “O setor de seguros passará a sofre um impacto competitivo grande a partir de outubro de 2021, quando a agenda BC#, que representa a digitalização do sistema financeiro, entrar em vigor. A primeira coisa é o lançamento do Pix, mas também está sendo lançado o Open Banking, que faz com que as informações de dentro do mercado financeiro sejam compartilhadas, com o aval do consumidor”, explica Ferreira.

A última fase do Open Banking é a quatro, que acontece em outubro de 2021 e ratificará a troca de informações entre as instituições financeiras, a partir da autorização do consumidor. “Eu, brasileiro com CPF, tenho conta corrente em um banco e produtos financeiros. A maioria dos segurados possui um conjunto de produtos com uma série de informações. O brasileiro comum não se lembra exatamente do que possui”, brinca Ferreira.

A partir de outubro do próximo ano, obrigatoriamente, todas as informações dos clientes ficam disponíveis para todas as empresas de tecnologia do país, bastando o cliente ter uma carteira digi-
tal que organizará os dados. “Com isso em mãos, estas empresas conseguem visualizar de forma completa todos os produtos que o consumidor possui e pode oferecer soluções customizadas e com
custos mais baixos”, adianta Ferreira.

A concorrência a partir do próximo ano virá não apenas dos corretores de seguros, mas também de fintechs, startups de todos os gêneros e categorias, empresas que consigam condições melhores para o cidadão, de seguros a produtos de crédito.

A premissa é que para alguém ter acesso a seus dados é necessária uma autorização. Marta Schuh, líder de cyber da Marsh Brasil, enxerga novas possibilidades com a chegada do Pix, e afirma que a revolução digital provocada pelo Pix também deve trazer novos riscos para os quais as instituições financeiras devem se atentar, especialmente em relação aos dados pessoais dos indivíduos, que
estarão mais expostos perante à Lei Geral de Proteção de Dados. Há também a resolução 4658, do Bacen, que, consequentemente, implica em um cumprimento. “Aumentou a procura pelo seguro ciber, mas, em paralelo, vemos também um possível aumento das fraudes, com a migração dos crimes para o âmbito digital”.

Na avaliação da especialista, o mercado segurador deve observar uma alavancagem nestas áreas, com consequente aumento dos sinistros também. Haverá um período de adaptação, após a evolução do Pix. Depois dos ajustes, será possível verificar como será o desafio para os bancos, que farão transações 24 x 7.

Se por um lado haverá a vantagem da queda do custo de pagamento, por outro, o charge back (quando há pagamento fraudulento) pode aumentar. “As empresas cadastradas estarão sujeitas junto às instituições bancárias, que serão os sponsors desta nova fase. Elas terão que entrar com níveis de adequações de segurança para tornar o processo operacional. As grandes empresas devem ser as primeiras a aderirem ao Pix”, prevê Marta.

O Pix teve origem na China, lugar em que as pessoas praticamente não utilizam mais dinheiro em espécie. O usuário deve se atentar ao seu cadastro, porque o banco não irá se responsabilizar
pelas possíveis fraudes.

No Brasil, as seguradoras ainda têm restrições para produtos com coberturas contra fraudes, como já existe na Europa, por exemplo. Segundo dados publicados pela Federação Brasileira de Bancos, as fraudes que utilizam nomes de bancos e instituições financeiras aumentaram 44% durante a pandemia.

Kelly Lubiato

* Esta matéria foi veiculada na Edição 260 da Revista Apólice

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