EXCLUSIVO – É fato que a pandemia da Covid-19 impactou todos os setores. A maioria das empresas tiveram que se adaptar para trabalhar em regime home office, o contato com o consumidor passou a ser totalmente online e as relações comerciais precisaram por mudanças. Com o mercado segurador não poderia ter sido diferente. As seguradoras e corretoras passaram a lidar com diversos desafios, como o impacto financeiro e a desregulamentação de algumas leis.

Para falar sobre ““Como o Coronavírus mudou o mercado de Seguros”, Tatiana Mattar, diretora de novos produtos da Pottencial Seguradora; Edson Franco, CEO da Zurich no Brasil; Evandro Salles, CFO da Quiver; e Caribou Honing, chairman e fundador do Insuretech Connect, se reuniram na sexta parada do CQCS Innovation Latam. O evento aconteceu na última quinta-feira, 19 de novembro, e contou com a mediação de Gustavo Doria Filho.

Escolhida como a insurtech do mês, a Quiver é uma empresa de tecnologia voltada para o mercado de seguros fundada em 2008. Durante sua apresentação, Salles falou um pouco sobre a companhia e as ferramentas recém lançadas, a Quiver ON e a QuiGo. A primeira foi desenvolvida pensando nos pequenos corretores de seguros e seguradoras, ajudando a vender online e dando suporte na cotação através da geração de leads e da integração do banco de dados da empresa. Já a QuiGo é voltada para os pequenos e médios corretores, oferecendo gestão e multicálculo e eliminando a necessidade de cadastros e a digitação de propostas, apólices, endossos e extratos de comissão.

“Isso abre novas oportunidades para os corretores para que possam ampliar a sua maneira de trabalhar, mudar a abordagem, prospectar clientes e entender novos formatos que podem usar para vender. Fizemos entrevistas e constatamos que o trabalho do corretor corresponde a 90% da renda de suas casas. Eles dependem disso, e com o impacto intenso da pandemia em vários setores é preciso buscar caminhos para melhorar a realidade da categoria”, disse o executivo.

Franco afirmou que a Covid-19 trouxe a necessidade do desenvolvimento de novos produtos e serviços que atendessem a essa nova realidade e as mudanças nos hábitos de consumo. O executivo também falou que algumas tendências, antes vistas nas gerações mais novas, agora atingem toda a população. “Há transformação nas seguradoras e na corretagem, mas não pode haver transformação digital que tornem as empresas menos humanas. Isso serve apenas para garantir maior eficiência e melhorar a experiências do usuário. O corretor pode ser eficiente digitalmente, mas sem perder o seu principal capital que é a relação direta com os consumidores”.

Tatiana apontou alguns pontos positivos da pandemia, como a aceleração de projetos que a Pottencial planejava implementar, a reinvenção da comunicação da companhia, a expansão do portfólio de produtos e o aumento da carteira de clientes. A seguradora criou um Comitê de Crise e de Oportunidade que, segundo a executiva, está a ajudando para ser mais forte no futuro. “A crise está sendo uma grande oportunidade para a inovação, e essa é a palavra chave para se destacar no mercado. Além disso, nosso propósito é fornecer tranquilidade em momentos inesperados e isso tem tudo a ver com o momento que estamos passando. As pessoas são a chave para o sucesso, por isso é fundamental ouvir funcionários e clientes para uma melhor tomada de decisão”.

Para Honing, a pandemia representa uma mudança de plataforma que afeta não apenas o seguro, mas os negócios como um todo e a vida de todo mundo. Segundo o chairman, a Covid-19 acelerou transformações e “jogou no lixo algumas certezas” dos profissionais que atuam no setor. “Estou otimista. Novos negócios e segmentos surgiram com a crise e algumas formas de executar diversas tarefas tornaram-se obsoletas. Isso cria oportunidades para as seguradoras oferecem apoio aos corretores e clientes. Não podemos mais fazer o mesmo da mesma maneira, pois só assim sairemos mais fortes”.

Nicole Fraga
Revista Apólice

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