EXCLUSIVO – Quando chega o mês de novembro todos já ficam ansiosos para a data comercial especial: a Black Friday. Em meio à pandemia de Covid-19, diversos consumidores irão optar por fazer suas compras nos meios digitais. De acordo com estudo feito pela Neotrust/Compre&Confie em parceria com a ABComm e patrocínio da Elo, a data deve gerar 10,9 milhões de pedidos, alta de 77% comparado ao ano passado. Traduzindo em cifras, o volume de compras deve proporcionar um faturamento de R$6,9 bilhões para o e-commerce, o que representa um crescimento de 77% em relação a 2019. O levantamento leva em conta os dias 26 e 27 de novembro.

Contudo, em meio a tantas promoções, a comunidade hacker enxerga na Black Friday e nas vendas online uma brecha para realizar ciberataques e roubar dados de clientes. Com a finalidade de evitar que isso aconteça, é fundamental contar com uma proteção caso o banco de dados de uma empresa seja invadido. O seguro para riscos cibernéticos, que entre suas coberturas cobre danos como Responsabilidade Civil por atos de violação, despesas de substituição de ativo digital, ameaça cibernética e lucros cessantes pode ser uma saída prática.

Segundo Marta Schuh, superintendente de Cyber da Marsh, as empresas precisam avançar em controles de cibersegurança que vão além de suas arquiteturas tecnológicas, integrando todas as áreas para mitigar o crescente risco cibernético. “Assim como nos ramos tradicionais, organizações públicas e privadas devem levar em consideração os riscos cibernéticos, pensar o gerenciamento geral de riscos corporativos e mecanismos de transferência de risco através de uma apólice de seguro”.

Para não ser pego de surpresa, o empresário precisa ter uma estratégia contra crise montada e já testada. Dessa forma, a resposta contra qualquer imprevisto passa a ser mais rápida para todas as pontas e o prejuízo é minimizado. De acordo com Fernando Saccon, superintendente de Linhas Financeiras e Seguro Garantia da Zurich no Brasil, embora grandes companhias sejam consideradas mais valiosas para os hackers, as pequenas e médias empresas têm uma frequência maior de ataques. “O seguro cibernético é universal, já que companhias de todos os portes e segmentos de atuação hoje estão conectadas, em maior ou menor grau, à internet e precisam proteger os dados”.

Para Jacopo Angelozzi, subscritor Sênior de Linhas Financeiras da Allianz Global Corporate & Specialty (AGCS), além da Black Friday o regime home office também desperta o interesse de criminosos, visto que o trabalho remoto tornou-se uma necessidade e até mesmo uma tendência para muitas empresas. “Estima-se que entre 50% a 90% das violações de dados sejam causadas por falha humana, incluindo incidentes não criminosos. Portanto, as iniciativas de conscientização sobre cibersegurança precisam ser constantes e mandatórias para todos os funcionários envolvidos com manuseio de dados e que operam em sistemas críticos para a operação da organização”.

Contudo, mesmo que a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que entrou em vigor em setembro, não obrigue o varejista a adquirir esse tipo de seguro, é necessário ser consciente em relação à sua importância. “Qualquer atividade realizada com dados pessoais está sujeita ao cumprimento das diretrizes da medida. O Seguro Cyber também auxilia a mitigar eventuais procedimentos administrativos imputados pela Autoridade fiscalizadora da LGPD, garantindo custos de defesa e até mesmo o pagamento de multas e penalidades que eventualmente sejam aplicadas”, ressalta Ana Cristina Albuquerque, gerente de linhas financeiras da Willis Towers Watson.

Nicole Fraga
Revista Apólice

Deixe uma resposta