Uma alta de 7,3% no comparativo mensal de 2020 versus 2019, elevando a receita para R$ 25,7 bilhões em agosto (sem Saúde e DPVAT), manteve a produção de prêmios do mercado segurador em elevado patamar (foi o segundo melhor resultado mensal no ano), acumulando R$ 173,4 bilhões em oito meses, apenas 0,8% negativos se comparado ao mesmo período de 2019. Permanece o desempenho heterogêneo entre os segmentos e ramos de seguros, acompanhando as preferências de proteção no atual cenário econômico. Dessa forma, nesses oito meses confirma-se uma maior evolução do segmento de Danos e Responsabilidades (2,7%), decréscimo de 1,8% no segmento de Cobertura de Pessoas; e queda de 4,9% dos Títulos de Capitalização. Resultado: a queda geral de 0,8% até agosto é menor que os 2,1% acumulados até julho.

Em editorial assinado na Conjuntura CNseg nº 30, o Presidente da entidade, Marcio Coriolano, assinala que o setor deve ter no radar três variáveis estatísticas para antever o fechamento anual. A primeira é a taxa no mês-contra mês anterior, que deve avançar na medida em que a pandemia ceda. Seguida pela variação mês-contra-mês do ano anterior, com propensão à baixa variação, porque em 2019 houve evolução consistente de prêmios, particularmente no segundo semestre. Por fim, o comportamento da taxa acumulada do ano contra o do ano anterior, que tende também a ter variação com viés de alta moderada, pelo mesmo motivo da base de comparação.

Confirma-se que o seguro de Automóveis continua a influenciar a falta de retomada mais significativa do segmento de Danos e Responsabilidades. Nos oito meses, a queda da arrecadação do ramo Automóvel, a principal carteira do segmento, foi de 5,1%, com sua receita totalizando R$ 22,5 bilhões. Outros ramos, entretanto, ajudaram o segmento. Entre os exemplos, os seguros de Marítimos e Aeronáuticos (39,6%), Rural (27,7%), Grandes Riscos (27,3%) e Responsabilidade Civil (18,5%). Mas tais ramos ainda têm pouca expressão em termos de market share, respondendo por 5,4% no período. Automóvel, por exemplo, detêm 13% de participação do mercado.

No segmento de Pessoas, o VGBL, que conta com o maior market share, registra queda de 3% no ano até agosto, com R$ 70,99 bilhões arrecadados. Já os seguros de Vida Risco (coberturas de morte, invalidez e doenças) alcançaram alta de dois dígitos (10,8%), movimentando R$ 12,8 bilhões em prêmios. “Demonstra a crescente aversão ao risco da pandemia”, afirma Coriolano.

Na variação de 12 meses móveis, a melhor medida tendencial, a taxa de agosto recuou para 3,7% (contra os 4,1% de julho), mas o ritmo de desaceleração foi menor. Este desempenho poderá contribuir para manter a taxa setorial anualizada estabilizada, algo entre 3,5% e 4% se a receita de setembro permanecer próxima dos R$ 25,7 bilhões.

Em relação ao comportamento da sinistralidade comparada nos oito meses de 2019 e 2020, os números revelam redução no segmento de Danos e Responsabilidades de 53,4% para 48,8%, em virtude da redução de acidentes e roubos no ramo de Automóveis. Na carteira de Vida Risco, a sinistralidade agravou-se de 26% para 27,9%, dado o aumento dos óbitos e eventos de invalidez e doenças.

N.F.
Revista Apólice

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