O Clube Vida em Grupo São Paulo (CVG SP) realizou ontem, 15 de outubro, um webinar com foco nas “Tendências dos Seguros de Pessoas”. O evento teve transmissão ao vivo pelo canal da entidade paulista no YouTube e foi mediado pela jornalista Kelly Lubiato, editora da revista Apólice. O primeiro encontro de entidades do segmento de pessoas e previdência no Brasil contou com a participação do CSP-BA, CSP-MG, CVG-ES, CVG-RJ, CVG-SP, ISB (PR) e CVG RS.

No bate-papo, Andreia Araújo, presidente do CVG-RS, destacou que o atual o cenário mundial tem desencadeado transformações também no comportamento e nos hábitos de consumo dos brasileiros. Segundo ela, a busca pelo seguro de vida já vinha crescendo antes da pandemia e se intensificou após o Covid-19, despertando também a importância da previdência privada complementar. “As mudanças vem apoiadas pela tecnologia e pelo papel indispensável do corretor de seguros. A dobradinha tem permitido maior acesso à informação, facilidade nos processos e proximidade com o usuário, gerando mais humanidade nas relações e oportunidades para o mercado segurador”, afirmou.

“Não estamos descolados do que está acontecendo no restante do mundo. O Brasil acompanha a tendência mundial de ampliar a proteção à sociedade e fortalecer nosso setor. Não paramos e, apesar, de ainda não conhecermos ainda, a fundo, o impacto desta pandemia, acredito que os momentos de crise nos permitem trabalhar a criatividade, a inovação e a empatia. Sairemos desse cenário mais digitais, mais criativos e com o olhar mais voltado para o outro”. ressaltou Andreia.

A presidente também destacou o recente lançamento do Programa Genomas Brasil pelo Governo Federal. Ela acredita que, ao mapear cem mil brasileiros, a iniciativa pode ajudar o segmento de seguros de pessoas a obter avaliações de risco mais precisas, melhorar a precificação dos serviços e aumentar o acesso à proteção. Na ocasião, Andreia também agradeceu ao CVG-SP pela referência paulista na troca de informações e conhecimentos entre entidades e no aprimoramento e capacitação de pessoas.

Octávio Perissé, presidente do CVG-RJ, revelou que os seguros de pessoas e benefícios estão em alta. “Há uma mudança total de comportamento do segurado, que pensa mais no futuro.

“Por trabalhar há mais de trinta anos na carteira de vida e pessoas, vejo que a crise provocada pelo novo coronavírus fez surgir um novo olhar por parte da população, inclusive entre os jovens, que passam a considerar a perda de renda e seus impactos no bem-estar de suas famílias. Itens de consumo que eram considerados prioritários foram colocados em segundo plano para dar lugar ao seguro, como forma de proteção. No novo normal, a prioridade deve ser preservar vidas. A pandemia deixará essa lição fundamental. Esse é um dos primeiros efeitos e prenúncios de que, como sociedade, adotaremos uma nova postura perante a vida. O nosso segmento será valorizado e novas oportunidades de negócios serão criadas”, disse.

O trabalho em home office e o largo uso dos recursos tecnológicos também foram apontados pelo presidente como benéficos. “Eles trouxeram agilidade para as operações das seguradoras e corretores, sem perda de qualidade para o segurado. O setor rapidamente iniciou uma aceleração tecnológica, sem precedentes, para continuar prestando atendimento aos clientes adaptando-se também suas rotinas operacionais ao home office, tudo num prazo exíguo de tempo”, afirmou Perissé.

O presidente citou ainda como exemplo a bem sucedida operação digital de grande sucesso entre os segurados, a telemedicina. “Cerca de 1,7 milhão de atendimentos foram realizados por telemedicina no Brasil de 15 de abril de 2020 até agosto de 2020, tendo sido plenamente aprovada pelos segurados”.

A pandemia ajudou a acelerar a transformação digital no seguro de pessoas, segundo a percepção da presidente do CSP-BA, Patrícia Jacobucci. Ela concluiu que o setor de seguros sempre foi digital e que deverá avançar nessa área. Para o presidente do CVG-ES, Antonio Santa Catarina, a venda digital de seguros “é um processo irreversível, que deverá baratear o custo do seguro”.

Se no passado, o processo de subscrição de riscos era binário – aceita ou não aceita riscos -, hoje, com a incorporação de novas tecnologias, os riscos até então excluídos passaram a ter mais chance de aceitação. Esta é a percepção do presidente do CVG-SP, Silas Kasahaya. “Com base nos dados disponíveis, hoje, já é possível fazer uma avaliação precisa do risco”, disse.

Na visão de João Paulo Mello, presidente do CSP-MG, os corretores, principalmente, devem focar suas vendas no segmento de pequenas e médias empresas. Para Joceli Pereira, presidente do Instituto Superior de Seguros e Benefícios Brasil (ISB Brasil), é possível melhorar a formação dos profissionais. “As entidades que proporcionam essa formação precisam se voltar para a produção de conhecimento e o fomento de pesquisas”, afirmou.

N.F.
Revista Apólice

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