No primeiro semestre do ano, fundos de previdência tiveram seis vezes menos resgates em comparação com respectivos semelhantes do mercado aberto. Um levantamento realizado pela Icatu Seguros nos seis primeiros meses do ano mostrou que, apesar da crise e instabilidade econômica, a previdência privada segue resiliente no país.

A análise considerou 43 fundos de previdência de diversas estratégias (multimercados, ações, crédito privado e renda fixa) que somam mais de R$ 13,2 bilhões da carteira da seguradora em 30/06/2020, e seus respectivos semelhantes do mercado aberto cujo patrimônio líquido no mesmo período foi acima de R$ 30 bilhões. Na comparação, o volume acumulado de resgates nos investimentos de fundos abertos foi seis vezes maior do que o observado nos fundos de previdência no auge da crise em março.

Nas duas modalidades, a concentração de resgates se deu entre a segunda semana de março e o final de abril, o que pode ser explicado pelo avanço do coronavírus no Brasil e no mundo e a consequente queda e volatilidade de preços dos ativos em diversos mercados. Ainda assim, durante todo o período, os fundos de previdência se mostraram mais sólidos quanto aos resgates do que os fundos abertos. O movimento acontece, principalmente, por conta do forte perfil de longo prazo da previdência, além das características de tributação que ocorrem sobre esses fundos.

“Escolhemos esses 43 fundos justamente por possuírem ‘espelhos’ com estratégias semelhantes. Na análise, notamos que, após marginal aumento de resgates em meados de março e início de abril, os resgates nos fundos de previdência voltaram a se estabilizar. É importante reforçar também que houve um grande movimento de transferência de fundos dentro da própria indústria, ou seja, o participante buscou realocar sua carteira dado o novo cenário de juros. Uma das vantagens de fundos de previdência em relação aos tradicionais é que a realocação dos recursos para outros fundos através de portabilidade não incide imposto e assim o participante pode buscar uma diversificação dinâmica de seu portfólio”, afirma Henrique Diniz, diretor de Produtos de Previdência Privada da seguradora.

O executivo diz que o comportamento observado na carteira da empresa retrata que a previdência é vista também como uma reserva de longo prazo e que as pessoas desejam manter mesmo em momentos de crise. Na própria indústria, segundo dados da Fenaprevi, foi possível observar que o número de participantes do mercado de previdência se manteve estável entre março e abril, os meses mais críticos. Diniz identifica ainda um amadurecimento do investidor, cada vez mais conectado a conteúdos de educação financeira, que vem buscando um portfólio eficiente de acordo com seu perfil, considerando também o prazo de seus objetivos.

N.F.
Revista Apólice

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