O setor de seguros tem passado por uma série de restruturações. Mesmo antes da pandemia e do isolamento social, era possível perceber um grande movimento de mudança no mercado, e com esse novo cenário, esse processo foi acelerado. Dessa forma, em busca de alternativas, o corretor de seguros teve que se adaptar para acompanhar as transformações no mundo.

No ramo de seguros, diante dos desafios da crise, os corretores que já tinham o papel fundamental para o setor, ganharam uma responsabilidade ainda maior: a missão de disseminar a cultura do seguro e de oferecer mais do que produtos, mas sim valor agregado a proteção. O cuidado com a saúde, a proteção de quem se ama, o planejamento financeiro e o resguardo do patrimônio, se tornaram fatores cruciais em um momento com tantas incertezas.

Leonardo de Freitas

De acordo com um estudo recente da Febraban, a saúde e as questões financeiras são prioridade para a vida pós-pandemia. A pesquisa também mostra que a moradia e a segurança crescem como gatilho para quem visa um investimento a longo prazo. A partir disso, percebemos que existe uma propensão para o aumento da conscientização dos brasileiros em relação a proteção, especialmente com a visão da possibilidade de imprevistos.

Com esse novo perfil de consumidor, mais ávido por segurança, surgem novas oportunidades na oferta de seguros e na atuação do corretor. O universo segurador é pautado pelo cliente e para atender as novas demandas é preciso aderir uma abordagem diferenciada. Não basta apenas oferecer produtos de qualidade e tecnologias inovadoras se a jornada do usuário não for inspiradora. Estamos vivendo um processo de construção desse novo consumidor, que resultará na necessidade de um novo profissional, sempre aberto a se reinventar e a se especializar.

Percebo que os corretores estão aprimorando cada vez mais suas habilidades, identificando as reais necessidades do cliente e suas possibilidades de investimento para, a partir delas, atuar como um consultor de riscos. O foco sai do produto e volta-se completamente para a pessoa. Deste modo, para a oferta de um gerenciamento amplo de investimentos consultivo e estratégico, o setor necessita de especialistas em pessoas, atuando de forma individualizada e cada vez mais profissional. Além disso, é importante ter em mente que as pessoas possuem diferentes necessidades ao longo da vida. Compreender o cliente e a fase que ele atravessa, suas reais demandas e particularidades, é uma tarefa da natureza do corretor. Trata-se de ir além do produto, é oferecer soluções que vão de encontro com os desejos do cliente.

Cada vez mais vamos ouvir falar de vendas empáticas, pois as pessoas não buscam apenas por produtos e coberturas, mas sim por propósitos e valores que proporcionem segurança, conforto e bem-estar. Para isso, é importante que o corretor se aproxime do segurado, estando sempre presente e estabelecendo uma relação de troca e confiança. E as seguradoras, para auxiliá-los nessa nova jornada, podem fornecer ferramentas para que eles possam realizar a consultoria de forma mais assertiva.

Quando pensamos no profissional do presente e do futuro, este deve ter como premissa a adaptação as tecnologias, que além de permitir a ampliação da oferta de produtos e serviços, também possibilita um alcance maior de pessoas. A digitalização vem transformando o mercado segurador; as vendas por meio dos canais digitais se revelaram como um dos métodos mais promissores, possibilitando mais agilidade por meio do atendimento multicanal.

Contudo, em outubro comemora-se o Dia do Corretor, e são mais de 50 anos de história que revelam uma jornada longa em busca de assegurar proteção e bem-estar. Desde 1970, quando a data foi criada com o intuito de homenagear a categoria, a importância desse profissional é reforçada, e o reconhecimento do seu papel para o setor também, como parceiro das seguradoras nessa nobre missão de proteção.

* Por Leonardo de Freitas, diretor da Organização de Vendas do Grupo Bradesco Seguros

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