Fonte: Capgemini

EXCLUSIVO – A Capgemini e a Efma realizaram o estudo World Insurtech Report e constataram que aqui, como no resto do mundo, a parceria das seguradoras com insurtechs é um dos caminhos para enfrentar o tsunami provocado pela concorrência das Big Techs, que já começam a testar modelos fora do país. Estas últimas também podem ser parceiras das seguradoras na distribuição de seguros.

O World InsurTech Report 2020 cobre os segmentos de vida, não vida e seguro saúde. O relatório deste ano se baseia em percepções de pesquisa com empresas de seguros tradicionais e empresas InsurTechs, no qual foram ouvidos 175 executivos em 26 mercados, entre eles o Brasil, com 12% do total de entrevistados ou 20 executivos.

O pensamento global a respeito das necessidades das seguradoras mostram que elas, para serem eficientes, precisam se enquadrar em cinco questões: responder em tempo real; ter processos à prova de crise; seguros on demand ou como utility; ter parceiros com visão abrangente; e experiência digital.

Fonte: Capgemini
Roberto Ciccone

Segundo Roberto Ciccone, líder de seguros da consultoria, as seguradoras declararam que apenas 30% delas se vê pronta a oferecer respostas em tempo real para os seus steakholders. Os novos processos avançaram muito durante a pandemia assim como produtos mais abrangentes que elas estão começando a comercializar.

As insurtechs parceiras das seguradoras são startups de seguros que podem ser nascidas a partir delas;  distribuidores (intermediando ou substituindo corretores), e os enablers, fornecedores para as seguradoras. “O desafio das seguradoras é conseguir este mindset de inovação para dentro das organizações”, acrescenta Ciccone.

No mundo, a questão da inovação tem muita relação com a co-criação ou com o patrocínio de aceleradoras. As seguradoras pensam mais em fazer parcerias com insurtechs do que com Big Techs. As insurtechs querem trabalhar com as seguradoras e também com as Big Techs.

Gustavo Leanca, responsável pela pesquisa no Brasil,  lembra que a inovação é crítica ainda no setor de seguros, mas que as empresas querem incorporar o padrão de atendimento ao consumidor das Big Techs. “As insurtechs são grandes parceiras para chegar neste nível de inovação”, avalia.

Ciccone avisa que as Big Techs estão próximas do mercado de seguros. “A Amazon já faz sua prova de conceito na Índia, que tem um panorama bem diverso. As montadoras já vendem carro com o seguro como um serviço”, ressalta. A provocação é porque toda a operação das Big Techs é exponencial e quando elas começarem a atuar no setor, é possível que as seguradoras que não se prepararem não consigam reagir ao tsunami.

 

Algumas informações do estudo World Insurtech Report:

-66% dos consumidores no Brasil admitem que desejam adquirir seguro de empresas Big Techs, bem acima da média global de 44% e acima da percepção local de 2018 com 48%;

-Entre as seguradoras tradicionais brasileiras, apenas 50% manifestaram preferência por colaboração com as InsurTechs e 0% tem preferência por colaborar com as Big Techs;

-Diante do impacto da pandemia, as seguradoras brasileiras apontaram que 50% viram impacto na aquisição de novos clientes e apenas 10% tiveram problemas com retenção de clientes (algo bem abaixo do mundo, que registrou 42%);
 
-67% das seguradoras globais querem colaborar com a InsurTechs;

-85% das InsurTechs em todo o mundo querem fazer parceria com fornecedores de tecnologia, enquanto 83% querem colaborar com seguradoras;

-Mais de 60% das seguradoras e InsurTechs estão interessadas em colaborar com empresas BigTech na média dos países.

Kelly Lubiato
Revista Apólice

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