A Alper Consultoria em Seguros lança nesta semana um seguro voltado exclusivamente para agentes autônomos. A iniciativa pioneira, negociada exclusivamente com uma seguradora, derruba a exclusão para esse profissional. “Desenvolvemos uma solução de responsabilidade civil para esse público que, até o momento, não tinha com adquirir essa proteção. Entendemos a importância desse público estar coberto pelo seguro para eventuais ressarcimentos que os assessores tenham que pagar aos clientes, em casos de falha humana ou técnica”, diz o diretor de riscos corporativos e sinistro da empresa, Ilan Kajan Golia.

A profissão de agente autônomo tem crescido, principalmente depois que a taxa de juro entrou numa trajetória de queda, o que levou muitas pessoas a buscarem por investimentos com um pouco mais de risco e, consequentemente, mais retorno. Para isso, as pessoas buscam o agente autônomo para ter uma boa orientação sobre o tipo de investimentos que melhor se enquadra para cada perfil de investidor. Segundo dados da Ancord, associação das corretoras, o número de agentes autônomos credenciados quase dobrou em dois anos e já supera os 10 mil profissionais. 

Golia estima que o novo seguro tem potencial para atingir até 30% desse mercado em dois anos. Além de procurar escritórios que reúnem esses profissionais para adquirir a proteção, a consultora também quer negociar a oferta do produto por meio das corretoras às quais os assessores precisam estar vinculados. 

O seguro de responsabilidade civil se enquadra na categoria Erros e Omissões (E&O), usado entre profissionais liberais tradicionais como médicos, advogados e arquitetos. “A profissão de agente autônomo é recente e o crescimento dela se deu de forma vigorosa e, até o momento, eles não eram lembrados pelo mercado segurador, embora o seu trabalho esteja sujeito a riscos que podem envolver grandes valores”, explica o executivo. 

Por representarem um dos principais intermediários dos investidores na hora de aplicar, são comuns as reclamações contra agentes autônomos em órgãos como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o braço de supervisão da B3, que tem um mecanismo de ressarcimento de prejuízo. 

“A responsabilidade do agente autônomo pode ir desde uma ordem de compra errada provocada por falha humana até o atraso na execução de uma ordem, que pode gerar ônus para o cliente. Além disso, uma falha técnica pode levar a um erro ou a não execução de uma ordem, o que pode gerar prejuízo ao investidor. Com a grande expansão desse mercado, as possibilidades de erros se tornam maiores. Esse é um profissional que ganha relevância, mas estava descoberto”, ressalta Golia.

N.F.
Revista Apólice

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