EXCLUSIVO – Por conta da crise mundial ocasionada pela pandemia de covid-19, líderes e executivos do mercado segurador tiveram que responder de maneira ágil às demandas do setor e se adaptar a nova realidade, explorando alternativas e oferecendo soluções digitais que atendessem as necessidades dos segurados neste momento. Esse e outros temas foram discutidos ontem, 16 de setembro, durante o Insurance Summit Brazil 2020.

O evento online contou com a participação de alguns representantes do mercado. Para o painel “Seguros Após Covid-19: As Perspectivas dos CEO’s”, foram convidados para expor suas percepções sobre o futuro do setor Ariel Couto, CEO da MDS Brasil; Fabio Protasio, CEO da AIG Seguros Brasil; Luciano Calheiros, CEO da Berkley Brasil Seguros; e Vincent Bleunven, CEO Brazil & Latam da Allianz Partners.

Para Bleunven, a pandemia foi positiva no sentido de ter desencadeado mudanças em todos os setores da economia, o que criou oportunidade para as seguradoras evoluírem na digitalização dos negócios, engajarem colaborares e estarem mais presentes no dia a dia dos clientes. “Nós notamos mais de 50% de aumento no uso dos canais digitais da companhia. Somos uma empresa que presta serviços, e a nossa primeira preocupação foi pensar em como garantir a saúde e segurança de todos e manter a continuidade dos negócios. A maior dificuldade foi efetuar isso de uma maneira eficaz e rápida, pois mesmo com o distanciamento social as demandas dos segurados não pararam”.

Segundo Protasio, as empresas que já vinham investindo em tecnologia e inovação puderam oferecer uma estrutura mais adequada para os funcionários trabalharem em regime home office, o que proporciona tranquilidade e acaba gerando um aumento na produtividade da equipe, trazendo mais conectividade entre os colaboradores de diversas áreas da seguradora. “Decidimos em investir em treinamentos sabendo que isso irá nos dar um retorno muito maior no futuro. A transformação digital está ajudando o nosso mercado a entregar mais valor agregado para os clientes, colaborando também para que possamos elaborar produtos mais completos e que estejam de acordo com a realidade da vida daquele consumidor”.

Durante sua apresentação, Couto falou sobre os riscos emergentes ocasionados pela pandemia, o que o setor está fazendo para lidar com isto e quais inovações são necessárias. O executivo afirmou que a covid-19 criou uma maior consciência na população da importância de cuidar da saúde, não só física, mas também mental. “Para que as pessoas possam fazer isso, acredito que as companhias devem focar em oferecer produtos mais escaláveis e que protejam também o psicológico dos seus beneficiários. Houve um aumento no número de casos de transtornos mentais, o desemprego e a sensação de insegurança mexeram com a cabeça da sociedade. Acredito muito na telemedicina e mesmo com a nossa indústria ainda sendo muito burocrática, as empresas estão prontas para atuarem de maneira diferente no pós-covid”.

Sobre o futuro do setor, Calheiros disse apostar no segmento de commercial lines e afirmou ser a favor da inovação disruptiva no mercado. Ele também ressaltou a importância das insurtechs para a evolução do setor e que as organizações devem focar em estratégias mais digitais, ampliando e criando coberturas que englobem aspectos não convencionais. “Para que possamos efetuar isso, é fundamental que o corretor efetue o papel de consultor na hora da venda, pois os consumidores vão estar ainda mais preocupados em entender as coberturas que possuem. A partir disso, iremos desenvolver novos produtos e levar proteção para um maior número de pessoas”.

Nicole Fraga
Revista Apólice

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