EXCLUSIVO – A pandemia provocou uma crise que começou como epidemiológica e agora já é econômica e financeira. Marcio Coriolano, presidente da CNseg, disse, na abertura do Webinar sobre o impacto da pandemia nos mercados da América Latina, que agora o importante é saber a sua duração, pois os efeitos já foram sentidos em todas as esferas da sociedade.

Jorge Claude, vice-presidente executivo da Associação de Seguradores do Chile, destacou que os mexicanos ofereceram um seguro de vida para as pessoas envolvidas no atendimento ao covid-19, com cobertura de 10 mil dólares e atendeu 50 mil pessoas. “No caso do Chile, vivemos um período de muitos conflitos sociais, mas as empresas conseguiram continuar fazendo seu trabalho de forma remota”, apontou.

Os seguros de automóvel foram os mais atingidos, porque a cidade de Santiago, por exemplo, passou 4 meses sem que as pessoas pudessem circular sem autorização oficial, o que parou os seguros de automóveis. Foi o setor mais afetado nos seguros gerais. A indústria de seguro de crédito é bem desenvolvida no país, garantindo os negócios entre empresas, mas houve o fechamento do setor de turismo, de alimentação, e eles necessitaram de ajustes também.

Luis Enrique Bandera, presidente da Fides e sediado no Panamá, disse que observou que a redução dos riscos do seguro de automóveis voltou ao normal, depois da abertura em alguns países. As coberturas por interrupção de negócios durante a pandemia, que estão excluídas dos contratos, nos EUA passaram a ser motivo de ganho de causa pelos seguradores, com reconhecimento dos tribunais.

Houve agilização no processo de transformação digital e nos hábitos de consumo. O celular ganhou ainda mais força. “Acho que a pandemia rompe os modelos de trabalho, sistemas educacionais, formas de comércio e impulsionaram a digitalização. A notícia da aliança do Google com a Swiss Re, para distribuir produtos de seguros saúde tem amplitude descomunal. Este pode ser o início do fim da indústria do seguro como conhecemos”, sentenciou Bandera.

Marcio Coriolano ponderou sobre a importância do trabalho humano em todas as fases do seguro (desde a elaboração do produto até a regulação do sinistro), que não pode ser substituído apenas pela vontade de ocupação do espaço. “É preciso fazer a adaptação entre a tecnologia e o atendimento ao cliente”, avisou o presidente da CNseg.

Recaredo Arias, presidente da Federação Global das Associações de Seguradoras (GFIA) no México, informou que foram emitidas uma série de propostas a todos os envolvidos na sociedade, o que permitiu manter comunicação com as partes envolvidas. “Vimos uma série de declarações para buscar equilíbrio do mercado, com seguro como atividade essencial”.

Ele salientou que é preciso ter atenção especial para o trabalho em home- office, principamente por conta dos riscos cibernéticos e da LGPD. “Fica a discussão se é possível fazer todos os atendimentos digitalmente”, ponderou o executivo mexicano.

Eduardo Moron Pastor, presidente da Associação Peruana de Seguradoras, afirmou que as respostas mais interessantes aos reguladores foi a proatividade para oferecer alternativas para as pessoas que haviam perdido renda. “O setor sofreu muito em termos da capacidade de pagamento das pessoas e as ações evitaram uma resposta populista por parte dos políticos. O setor também facilitou o processo de informação das pessoas que tem direito, no âmbito das apólices de seguro de vida”. O programa Herdeiro Seguro responde rapidamente para os beneficiários se há ou não direito a cobertura do seguro. “O mercado de saúde privado tem um imenso caminho a seguir, porque a resposta da saúde pública foi muito deficiente”, apontou Pastor.

Miguel Gomez Martinez, da Associação das Seguradoras da Colombia, informou que o setor conseguiu atender o desafio de passar a operação remota sem dificuldades. “Isso demonstra que, em termos de risco operacional, o setor estava melhor do que esperávamos. A solidez do setor foi suficiente para atender a demandas deste porte”.

“Os bancos morrem de infarto quando as pessoas tiram os recursos, mas as companhias de seguros morrem de câncer, quando os sinistros começam a acontecer gradativamente. As empresas não tiveram problemas com solidez e com seus recursos”, finalizou Martinez.

Kelly Lubiato
Revista Apólice

Deixe uma resposta