O Grupo Allianz divulgou hoje, 30 de setembro, a 11ª edição do Relatório de Riqueza Global da Allianz 2020, material que traz a situação de ativos e dívidas de famílias em quase 60 países de maneira detalhada. Entre os destaques, o estudo aponta que o ano 2019 teve um bom desempenho, com aumento dos ativos financeiros brutos em 9,7%, atingindo 192 trilhões de euros. Outro ponto que chama a atenção no relatório é o crescimento dos ativos financeiros globais em 1,5% nos primeiros seis meses do ano, além do Brasil figurar em 39º lugar no ranking de riquezas dos países, com um patrimônio líquido per capita de 6.796 €.

O crescimento apontado no ano passado foi o maior já reportado desde 2005, o que surpreende, principalmente por 2019 ter sido marcado por uma inquietação social, aumento dos conflitos comerciais crescentes e uma recessão industrial. Mas essa evolução é atribuída à desvinculação dos fundamentos por parte dos mercados de ações, disparando 25% impulsionados pela inversão do curso dos bancos centrais, que embarcaram em uma flexibilização monetária de base ampla. A classe de ativos de títulos negociáveis aumentou 13,7% em 2019. No século 21, nunca o crescimento foi tão rápido.

Com a covid-19 levando a economia mundial para a sua mais profunda recessão em 100 anos, bancos centrais e autoridades de fiscalização protegeram as famílias privadas das consequências da crise com “bazucas” monetárias e fiscais. A estimativa é que essas famílias tenham recuperado suas perdas e aumentado seus ativos financeiros em 1,5%, por meio de depósitos bancários que, beneficiados com esquemas de apoio público e poupanças preventivas, aumentaram incríveis 7%. Esses movimentos devem fazer, muito provavelmente, que as famílias privadas encerrem o ano da pandemia no azul.

Falando do Brasil, um destaque é a mudança na estrutura dos ativos das famílias desde a virada do milênio. Os investidores brasileiros abandonaram os instrumentos seguros de investimento e passaram a apostar em títulos negociáveis. Em 2019, a participação dos brasileiros em títulos negociáveis como porcentagem do total de ativos financeiros era de 54%, contra 33% em 2000. Mas esta evolução, no entanto, nos torna mais vulneráveis a crises nos mercados financeiros. Até setembro de 2020, a B3 não tem conseguido recuperar as perdas sofridas em março, à época do início da pandemia.

De acordo com o coautor do relatório, Arne Holzhausen, a América Latina tem sido uma das regiões mais afetadas pelo choque econômico da pandemia, mas uma recuperação ainda é considerada. “Investidores brasileiros podem comandar a mudança, colocando seu dinheiro onde há mais chances de criar um impacto positivo, seja em investimentos verdes ou socialmente responsáveis”, diz.

O relatório completo está disponível no link.

N.F.
Revista Apólice

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