O cenário provocado pela covid-19 levou a sociedade a buscar alternativas para se reinventar a partir de três grandes crises interligadas: sanitária, social e econômica. A começar pela grande reestruturação dos locais de trabalho, fazendo com que grande parte da população passasse a atuar no regime de home office. Enquanto os lares tornaram-se o novo escritório e a sala de aula das crianças, surgiu de forma paralela a necessidade de refletir, flexibilizar e rever prioridades e planejamentos.

A necessidade de adaptação fez com que diferentes segmentos do mercado mergulhassem na busca por oportunidades, exigindo a reformulação e a criação de novos produtos e serviços, que passassem a atender as reais e novas necessidades. No ramo de seguros, houve um redirecionamento do foco, para a cobertura de novos riscos, flexibilização de prazos, contratação ágil e uma corretagem mais dinâmica e intuitiva.

Leonardo Freitas

Paralelamente, a digitalização vem transformando a operação do mercado segurador, exigindo uma nova postura do corretor. Os profissionais precisam acompanhar as novas tendências do mercado, para que possam oferecer uma experiência de consultoria personalizada, em diferentes plataformas de atendimento; aprimorando suas entregas e assumindo um papel de protagonismo ainda maior no setor.

A venda online também tem se tornado um importante recurso exponencial para potencializar a oferta de seguros e, ao mesmo tempo, romper as barreiras físicas e atrair novos públicos, como a geração millenials (de 18 a 35 anos), que traz um rejuvenescimento para o setor. Os canais digitais passaram a ser o formato mais desejado e, com o suporte das seguradoras, os corretores devem aprimorar seus conhecimentos nessas plataformas; dominando seus recursos, para gerenciar o relacionamento com os clientes, identificando suas reais necessidades e apresentando ofertas personalizadas e dinâmicas, de forma ágil e precisa.

Entretanto, essa onda de transição não diz respeito apenas à adoção de novas tecnologias, também está ligada aos novos hábitos e a forma como vivemos, nos relacionamos e trabalhamos. A experiência do consumidor já não é mais a mesma. Notamos um perfil mais ávido, exigente e precavido. A questão que fica é como garantir o engajamento e a fidelização desse novo perfil de cliente?

Após mais de 150 dias de isolamento social, observamos que as pessoas mudaram radicalmente suas rotinas e adquiriram novos hábitos – refletindo na forma como consomem produtos e serviços. A partir dessas novas demandas de consumo, todo o mercado precisou se readequar, para continuar levando qualidade e satisfação aos clientes. Pensando nesse novo consumidor – mais atento e cauteloso – e na retomada da economia, já podemos prever um novo ciclo para o mercado de seguros, com mais oportunidades para a oferta de produtos, como: saúde, vida, previdência, bens patrimoniais e, sobretudo, o seguro residencial.

Imprevistos acontecem e as pessoas estão cada mais conscientes dos riscos. Bom exemplo disso é a contratação do seguro residencial que conquistou um novo valor para a população. A carteira tem ganhado um novo fôlego de oferta, o que reforça ainda mais a concepção de proteção do imóvel, principalmente no momento em o uso de eletrodomésticos foi intensificado e que o tempo de permanência nas residências aumentou. O lar está associado a um ambiente de proteção para toda a família.

Em suma, a pandemia traz uma lição profunda sobre a importância de desenvolver novas dinâmicas na relação entre as empresas e as pessoas, principalmente por conta do trabalho remoto. O digital não deve ser associado a uma relação fria e impessoal. Pelo contrário, cada vez mais vamos ouvir falar de vendas empáticas, pois as pessoas não buscam apenas por produtos e coberturas, mas sim propósitos e valores agregados que proporcionem segurança, conforto e bem-estar. O corretor que entender isso largará na frente e conseguirá oferecer longevidade financeira.

Definitivamente 2020 ficará marcado como um ano decisivo e certamente o mais disruptivo da nossa era. A pandemia mostrou novas formas de adaptação e a importância das conexões virtuais, sem perder a qualidade das relações e interações. O momento trouxe aprendizados inestimáveis e fez com que a sociedade rompesse paradigmas. Agora, é preciso colocar em prática todas essas lições, intensificando juntos a propagação da cultura do seguro – mostrando o potencial dos produtos para atender as mais variadas necessidades. O setor deve cuidar e proteger o cliente e o que mais importa para ele.

* Por Leonardo Freitas, diretor executivo Comercial da Bradesco Seguros

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