No dia 24 de junho, na primeira rodada do “Terraço Virtual”, novo formato de live do CVG-SP, três executivos de seguradoras associadas apresentaram as respectivas ações de suas empresas para o desenvolvimento do Seguro de Pessoas. Sob a mediação do presidente da entidade, Silas Kasahaya, debateram o tema Alexandre de Mattos Malho, superintendente executivo da Icatu Seguros; Ramon Gomez, vice-presidente da MetLife; e Carlos Guerra, vice-presidente da Prudential.

Além da adaptação ao trabalho em home office de seus colaboradores, outra ação em comum às três seguradoras foi a definitiva incorporação de reuniões online e lives. Malho relatou que nesse período de quarentena, a Icatu já realizou 180 lives com a participação de mais de 8 mil pessoas, apenas em São Paulo. Atualmente, a seguradora realiza em média 2,6 lives por dia.

O executivo informou que na seguradora, o seguro de vida individual e os seguros para o segmento PME cresceram 26% entre janeiro e maio em comparação com o mesmo período do ano anterior. Para ele, o resultado mostra que houve um “despertar da população”. Por isso e porque o seguro de vida está cada vez mais completo, considerando que a cobertura de morte não é mais o único apelo de venda. “Hoje, quaisquer das novas coberturas e assistências se encaixam no perfil de cada brasileiro”, disse.

O superintendente acredita que o momento é de poupar. Para ele, o adequado planejamento financeiro não estará completo se não somar a previdência privada com o seguro de vida. “É importante que os corretores indiquem aos seus clientes um plano com uma contribuição que não vá interferir nos seus projetos”, disse. Kasahaya acrescentou que o isolamento social tem aumentado a percepção sobre o que é possível poupar. “É tempo de reorganizar as finanças”.

Compromisso com a população

Para Gomez, a pandemia está funcionando como um freio de arrumação na vida das pessoas. Ao seu ver, a crise atual se diferencia das anteriores porque além de ocorrer simultaneamente com as crise econômica e política, também é global. “É devastador do ponto de vista de redução de riquezas, gerando impactos sobre o consumo, que deverá ser mais austero por um longo período, até que surja uma vacina”, afirmou. “Não voltaremos mais ao velho normal”, acrescentou.

Diante da gravidade do momento, o executivo se disse satisfeito por trabalhar em um mercado que respondeu prontamente à crise humanitária global ao ignorar a exclusão do risco de pandemia e pagar as indenizações. “As seguradoras deram uma prova inquestionável de seriedade e compromisso com a população”, ressaltou.

Crise traz evolução

Na visão de Guerra, a crise colocou em evidência a importância do seguro de vida e também mostrou que o mercado de seguros está maduro e preparado para mudanças. Os investimentos em tecnologias nos últimos anos, hoje são fundamentais para as seguradoras flexibilizarem seus processos, principalmente para ajudar os corretores a venderem.

Na história da humanidade, ele destaca que as grandes evoluções foram precedidas de crises, guerras e pandemias. “A crise veio para repensarmos e retomarmos o nosso caminho”, disse. Apesar dos desafios, Guerra garante que o time da Prudential está motivado e preparado para os impactos que estão por vir, como aqueda prevista de 8% do PIB e o aumento de 17% no desemprego. “Mas, devemos ter a capacidade de passar por tudo isso de forma serena e madura”.

Sobre o futuro, o executivo avalia que a pandemia provocará muitas mudanças, a começar pela continuidade do home office. Muitos hábitos e rotinas também deverão ser repensados, como, por exemplo, os restaurantes self-service e os transportes públicos. Já no seguro, a resiliência deverá vir acompanhada de disciplina e organização. “De certa forma, isso trará mais união entre seguradoras e corretores”, disse.

Protagonismo do seguro

Um dos internautas questionou sobre a mudança na avaliação do risco de vida no trabalho em home office. O presidente da entidade complementou, perguntando se haverá mudança nas taxas de subscrição. Gomez respondeu que o maior impacto virá da flexibilização da legislação trabalhista, que poderá se tornar definitiva. “A tendência são novas precificações e produtos, além de coberturas temporárias. O seguro de vida deverá se sofisticar”.

Outro questionamento foi sobre os projetos de lei que obrigam seguros e planos de saúde a cobrirem qualquer doença ou lesão decorrente da pandemia. Para Guerra, esse tipo de interferência nas relações contratuais traz insegurança jurídica. Ele lembrou que o PL tem um aspecto social importante, mas que as seguradoras já se anteciparam nessa questão ao decidirem pagar o risco de pandemia. “Não precisa de projeto de lei para obrigar o mercado a fazer aquilo que ele tem capacidade de fazer”, afirmou.

Questionados sobre o envelhecimento da carteira dos corretores, Malho lembrou que hoje as seguradoras dispõem de produtos cujo limite de idade para contratação é de 85 anos e com capitais segurados acima de R$ 50 milhões. Ele destacou, ainda, o crescimento de novas contribuições no seguro de vida no momento de queda de juros. “O mercado precisará se reinventar em termos de precificação e análise de portfólio”, ressaltou.

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Para Gomez, o momento atual é oportuno para o seguro de pessoas assumir o papel de protagonista. “Quanto vale a indenização para uma família que perdeu o pai? Esse é momento de o seguro de pessoas brilhar. Então, brilhe”, concluiu.

N.F.
Revista Apólice

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