EXCLUSIVO – Junto com a pandemia, as prioridades da população na hora de viajar também passarão por transformações. As pessoas irão priorizar a segurança e tranquilidade no “novo normal”, e por isso o seguro viagem se tornará um dos itens mais importantes para quem decidir passar uma temporada longe de casa. Entretanto, quais seriam as expectativas desse público ao contratar um seguro?

Para Alexandre Camargo, country manager da Assist Card Brasil, “mais do que boas coberturas, as empresas de assistência precisarão oferecer garantias de atendimento e serviços complementares que permitam mais conveniência”.

No início da quarentena, a primeira reação das companhias do setor foi incluir a cobertura para casos de covid-19 em suas apólices. Um outro movimento visto pelo mercado, logo que as fronteiras de diversos países foram fechadas, foi a abertura da possibilidade da contratação de seguro viagem para quem já estava fora do Brasil.

Em 12 de março, 24 horas depois da OMS decretar estado de pandemia mundial, a Assist foi a púbico informar que seguiria oferecendo assistência médica mesmo para casos positivos de coronavírus. Camargo afirma que a empresa notou a partir deste momento que mesmo com o cancelamento das viagens, os viajantes seguiram comprando seguros.

Segundo o executivo, uma mudança notada durante a pandemia é o valor da cobertura do seguro. Antes da covid-19, o fator decisivo era o menor preço. Isso levava muitas pessoas a viajar com seguros que ofereciam apenas US$ 15 mil ou US$ 30 mil de assistência médica. A tendência agora é por seguros com coberturas superiores a US$ 100 mil.

Outra tendência do mercado é a inclusão do atendimento médico através da telemedicina. Os hospitais atualmente são os lugares com maior risco de contágio para as pessoas e, para que os turistas não tenham que sair do hotel, colocando sua saúde em risco, vender seguro viagem que ofereça o serviço de telemedicina virou essencial. “Quando lançamos este benefício em 2017, os viajantes entendiam como uma ‘conveniência’. Agora, ter esse atendimento passou a ser fundamental. Isto é um movimento natural, já que ninguém quer se arriscar a ir a um hospital por uma simples febre ou dor de cabeça”, diz Camargo.

Planos com franquia também estão ganhando espaço no setor por conta do seu custo benefício. Um seguro de U$ 100 mil com franquia pode ser mais vantajoso do que um plano de U$30 mil, dependendo do perfil do passageiro. A franquia é uma taxa que o viajante paga caso precise de atendimento médico, e essa taxa pode variar entre U$ 50 e U$ 100. Ela não se aplica a outras coberturas, somente em casos de consulta médica.

O seguro para viagem domésticas também estarão em alta, até entre pessoas que possuem plano de saúde com cobertura nacional. Outra tendência é que passageiros que viajam constantemente adquiram um plano de seguro viagem anual, pois além de serem mais econômicos, é necessário ser realizada apenas uma emissão de apólice por ano, o que torna o processo mais prático.

Sobre as novas coberturas que serão inclusas no “novo normal”, Camargo diz acreditar que neste momento em que as pessoas estão preocupadas com o atendimento médico não há espaço para novas coberturas na apólice. “O que poderá acontecer a curto e médio prazo é uma revisão nas cláusulas de exclusão por pandemia. Antes da 315, por exemplo, as empresas podiam excluir a preexistência do DMH. Hoje já não podem. Ninguém quer um seguro que não proteja esse tipo de evento, e me refiro não só no seguro  viagem, mas nos seguro de vida, residenciais etc”.

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O executivo afirma que o futuro do turismo será trabalhar para oferecer mais segurança aos passageiros. “Isso passa por todos os processos da viagem: deslocamento para o aeroporto, embarque, voo, hotel, destino. Por isso o seguro viagem estará no topo das prioridades. As empresas que investirem em melhorias e novos serviços irão estreitar o relacionamento com seus consumidores e também com os corretores de seguros, que nesta altura do campeonato já sabem com quais companhias podem contar em situações adversas como a que estamos vivendo”.

Nicole Fraga
Revista Apólice

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