Armando Vergilio

No pós-pandemia, um dos principais desafios do mercado será o de moldar produtos adequados para as camadas da população que ainda não tiveram acesso ao seguro, pois crescerá muito a demanda por proteção. A afirmação foi feita pelo presidente da Fenacor, Armando Vergilio, ao participar nesta segunda-feira, 15 de junho, da live “CNC Responde”, promovida pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), na qual abordou diferentes questões de relevância para o mercado de seguros e, particularmente, para os corretores.

Ele apontou o microsseguro como alternativa para esse novo cenário, mas lembrou que esse tipo de produto ainda não teve sucesso no Brasil porque necessita de uma escala muito alta, o que pode surgir agora. Vergilio projetou uma profunda mudança no comportamento do mercado, que, segundo ele, “dificilmente vai retornar ao modelo de atividade que se tinha”.

Para o presidente da Federação, além do home office ganhar força, por vir “funcionando muito bem”, haverá necessidade de mais dinamismo nas relações e de reprecificação dos produtos, além do desenvolvimento de novas modalidades que permitam maior acessibilidade principalmente das pessoas das classes C, D e E.

Nesse contexto, deverá prevalecer e ficar ainda mais evidente o papel que cabe ao corretor de seguros. “Os corretores vêm demonstrando a sua importância estratégica para a continuidade dos negócios e para amparar as pessoas”, salientou Vergilio.

Ele frisou que os corretores agiram rapidamente e conseguiram a dilatação do prazo de pagamento dos prêmios do seguro. Com isso, muitas apólices não foram canceladas com a perda de direitos. A categoria também teve que trabalhar com afinco para atender o amento vertical na procura por seguros de vida e de saúde.

Vergílio acrescentou que o mercado de seguros, como um todo, “respondeu muito bem” às novas necessidades que surgiram com a pandemia, com destaque para a ampla adesão de seguradoras à campanha lançada pela Fenacor para que o mercado pudesse afastar a cláusula de exclusão de pandemias. “Rapidamente atenderam nossa solicitação. Praticamente quase todas estão pagando as indenizações nos seguros de pessoas”, relatou, afirmando ainda que nos seguros patrimoniais está sendo feita a avaliação em casos como o fiança locatícia, uma vez que muitas pessoas e empresas não estão conseguindo pagar o aluguel em decorrência da pandemia.

Em contrapartida, ele lamentou o comportamento da Susep, que, ao contrário do que vem ocorrendo em praticamente todos os demais segmentos da economia, não apresentou, até agora, qualquer medida de incentivo para o desenvolvimento do mercado de seguros no pós-pandemia. “O seguro pode ser um grande fator para desonerar o Estado. Então, o Governo precisa pensar em medidas para desenvolver o setor, que é muito resiliente, e tem crescido acima da média da economia há praticamente 15 anos, mesmo em anos mais difíceis”, observou Vergilio, enfatizando que o mercado dispõe de reservas da ordem de R$ 1 trilhão que podem ser aplicadas no setor produtivo, fortalecendo a poupança interna e ajudando na retomada do crescimento econômico.

Nesse cenário, o mercado também se destaca por gerar praticamente 500 mil empregos diretos, dos quais 400 mil são corretores de seguros, sem contar os prestadores de serviços e rede credenciada, como oficinas, hospitais, laboratórios e fornecedores do setor.

Ainda sobre a Susep, Vergilio criticou o fato de a autarquia ser comandada, no momento, por uma pessoa sem preparo, que não conhece o mercado de seguros e que não teve a “humildade” para aprender, até mesmo com o “excelente corpo técnico” da própria autarquia.

O presidente da Fenacor lamentou ainda o comportamento arrogante e prepotente da superintendente da Susep, que não tem dialogado e prejudica o mercado, afetando diretamente o consumidor através de atitudes que vão de encontro ao que tem sido feito em outros países e em desalinho com práticas modernas.

Para ele, o recadastramento dos corretores de seguros, por exemplo, foi convocado “sem a menor necessidade”, atingindo uma categoria que tem trabalhado para proteger e amparar a população neste momento de pandemia.

Vergilio falou ainda sobre o ICSS, a pesquisa mensal que a Fenacor realizada para medir o grau de confiança dos corretores de seguros e do mercado. “A partir de fevereiro, a confiança já não estava tão grande e a atuação da Susep colaborou muito. Veio a pandemia e hoje temos baixa confiança para os resultados que serão apurados nos próximos meses”, disse.

Apesar de as perspectivas não serem otimistas, ele manifestou esperança de um futuro promissor, até pelo que o mercado mostrou em outros momentos de dificuldades.

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Por fim, Vergilio explicou como será a edição de 2020 do “Prêmio Nacional de Jornalismo em Seguros”, que foi confirmada mesmo diante da grave crise provocada pela pandemia do coronavírus graças à parceria firmada com a Escola de Negócios e Seguros (ENS). “Buscamos essa parceria com a ENS, que abraçou a proposta e viabilizou a realização do prêmio e que na última edição teve mais de mil trabalhos inscritos. As inscrições serão abertas a partir de 1º de julho”.

A íntegra da live pode ser assistida neste perfil do Instagram.

N.F.
Revista Apólice

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