EXCLUSIVO – Para debater assuntos do interesse dos corretores de seguros, o programa “Direto e Reto”, realizado pelo Sindicato dos Corretores de São Paulo (Sincor-SP) e apresentado pelo presidente da entidade, Alexandre Camillo, recebeu Armando Vergilio, presidente da Federação Nacional dos Corretores de Seguros (Fenacor).

Atendendo aos pedidos da categoria, Vergilio falou sobre a obrigatoriedade de exposição da comissão do Corretor de Seguros, estabelecida pela Resolução 382/20, e o recadastramento dos corretores no novo sistema da Susep.

A Resolução 382/20 do CSNP, publicada dia 10 de março deste ano no Diário Oficial da União, torna obrigatória a partir do dia 1 de julho a divulgação de forma clara e transparente do “montante de remuneração pela intermediação do contrato, acompanhado dos respectivos valores de prêmio comercial ou contribuição do contrato a ser celebrado”.

Para Vergilio, esse tipo de medida pode gerar conflitos de interesses e tirar o principal foco do seguro, que é proteger a sociedade. “Imagine o cliente, que ao fazer uma cotação de um seguro automóvel, tenha que escolher entre duas seguradoras: uma com o preço final de R$ 3 mil, com comissão de 10%, e outra com o valor de R$2,5 mil, com a comissão a 15%. Óbvio que o mais vantajoso para o consumidor é a segunda opção. Entretanto, esse segurado vai exigir que o corretor reduza a sua comissão sem pensar que em outra seguradora pagaria mais caro. O que importa para ele é a precificação final”.

O presidente da Fenacor afirmou ainda que isso só irá gerar uma concorrência desleal na categoria e que a entidade está tomando previdências para que esse “absurdo” seja revogado, pois neste momento é muito importante a união de toda a classe. “Estamos esperando a manifestação dos grupos seguradores quanto a essa questão e esperamos também que o apoio aos corretores não fique apenas no discurso. Essas empresas têm forte poder e podem nos ajudar nessa batalha”.

Sobre o recadastramento dos corretores feito pela Susep, Vergilio disse que a Federação está tentando buscar junto ao Poder Judiciário uma medida legal para impedir que isso não traga qualquer prejuízo para a categoria. Ele ainda ressaltou que o sistema oferecido para esse procedimento é falho e não oferece segurança alguma no momento em que o profissional fornece seus dados. “Há casos informados por diversos corretores do Brasil que qualquer pessoa que tenha acesso ao número do CPF consegue realizar recadastramento, não sendo pedido nenhum tipo de autenticação. Isso é extremamente grave e perigoso”.

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Vergilio ainda fez criticas a Superintendente da Susep, Solange Vieira, e afirmou que essa medida em plena pandemia do novo coronavírus é inoportuna. “Sempre estivemos dispostos a conversar e ouvir as opiniões da Superintendência, mas isso não ocorreu. Contudo, recomendamos que os corretores façam o recadastramento dentro do prazo, que é 31 de julho. Orientamos para que o profissional guarde provas da realização do procedimento, como prints de tela, vídeos e emails recebidos”.

Nicole Fraga
Revista Apólice

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