EXCLUSIVO – Devido às recomendações de distanciamento social por conta da pandemia de covid-19, muitos brasileiros se viram obrigados a fechar a porta dos seus comércios e parar suas atividades para evitar a propagação da doença. Empresários se encontram sem renda para arcar com as despesas do dia a dia, o que os fizeram procurar instituições financeiras para obter créditos e manter o negócio aberto após a quarentena.

Segundo uma pesquisa realizada pelo Sebrae em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), cresceu em 8 pontos percentuais a proporção de empresários que buscou crédito entre 7 de abril e 5 de maio. Entretanto, o mesmo estudo mostra que 86% desses empreendedores não conseguiram o empréstimo ou ainda têm seus pedidos em análise. Desde o início das medidas de isolamento no Brasil, apenas 14% dos que solicitaram crédito tiveram o auxílio liberado. O relatório ouviu 10.384 microempreendedores individuais (MEI) e donos de micro e pequenas empresas de todo o País.

De acordo com o Programa Emergencial de Suporte a Empregos, divulgado pelo Banco Central, cerca de 63 mil empresários procuraram auxílio de crédito para garantir o salário dos funcionários.

Contar com uma proteção em situações como essa é fundamental, e um ótimo aliado do empreendedor é o seguro de crédito. O produto, além de garantir a continuidade do negócio contra o não pagamento de dívidas de transações comerciais, assegura a indenização à empresa segurada (credor) que não receber os créditos concedidos a seus clientes (devedores).  Ele pode ser contratado para vendas a prazo no mercado interno e para operações financiadas de exportação.

Para Luciano Mendonça, diretor Comercial da Euler Hermes Brasil, “o seguro de crédito é o único seguro que, se bem administrado pelo segurado, pode sair de graça. Se você é uma empresa que já está no limite de tomada de risco com seus clientes, se a seguradora garante a você níveis de vendas mais altos com proteção de crédito, você pode ir além nas vendas. Vendas extras significam uma margem de retorno maior, que compensa o valor do prêmio de seguro. Assim, você expande suas vendas de maneira segura em mercados e em volumes que antes não podia”.

O executivo afirma que a companhia já notou um aumento no número de avisos de sinistros dos clientes. Estes avisos são originados de vendas feitas em fevereiro e março, cujas datas de pagamento deveriam ter sido abril e maio. Empresas são afetadas por eventos de mercado que impactam seus fluxos de caixa, e então seus pagamentos aos fornecedores.

Na última segunda-feira, 1 de junho, o governo federal aprovou a Medida Provisória 975/2020, na qual valida a criação do Programa Emergencial de Acesso a Crédito. A proposta tem como finalidade incentivar a manutenção de negócios durante a crise do coronavírus. De acordo com o texto, haverá uma injeção financeira de mais de R$ 20 bi. O Programa funcionará como uma espécie de financiamento para os comerciantes que tiveram seu faturamento afetado. O objetivo é que eles consigam ter acesso a serviços financeiros que irão liberar recursos para custear estas dívidas. Espera-se que as marcas possam obter poder de compra e venda, voltando a competir no mercado.

Leia mais: Seguro de crédito: veja 6 maneiras de expandir os negócios

André Graupen, gerente de Seguro de Crédito na AIG, afirma que este momento irá auxiliar na maior conscientização da importância do benefício. “A cultura de seguro de crédito pode ainda ser considerada incipiente no país, com penetração abaixo de 0.5% do PIB, mas ganha destaque em momentos de fragilidade econômica. Sua notoriedade tem crescido nos últimos anos pela conscientização dos empresários sobre essa ferramenta adicional para mitigação do risco de crédito, menor custo de captação de recursos e garantia de fluxo de caixa em cenários econômicos complexos e incertos como o atual”.

Nicole Fraga
Revista Apólice

Deixe uma resposta