A SulAmérica divulgou seus resultados relativos ao 1º trimestre de 2020. Apesar do cenário global adverso, as receitas operacionais mantiveram o ritmo dos últimos períodos e registraram alta de 7,2%, somando R$ 5,6 bilhões. A eficiência operacional, que será ainda mais importante nesse cenário desafiador de 2020, tem sido um dos grandes focos da companhia.

“A disciplina para manter as despesas administrativas sob controle foi mantida, mesmo com investimentos importantes em tecnologia e inovação. Vale ressaltar que mesmo durante esse período mantivemos nosso processo de separação da operação de Automóveis e Ramos Elementares para conclusão da venda desses segmentos para a Allianz, conforme anunciado no ano passado”, afirma Gabriel Portella, presidente da seguradora.

O lucro líquido foi de R$ 79,8 milhões, uma redução de 64% na comparação com o mesmo período do ano anterior. “Tínhamos o desafio de superar um dos melhores primeiros trimestres da nossa história, que foi o caso em 2019, mas tivemos um impacto relevante em nosso resultado financeiro com a deterioração do mercado de capitais por conta da pandemia”, diz Ricardo Bottas, vice-presidente de Controle e de Relações com Investidores da empresa. “Nossa pequena exposição em ativos de renda variável (cerca de 1% do portfólio) apresentou forte desvalorização no período, acompanhando o movimento de mercado em março, que somado à redução da taxa Selic média no período, levou a uma redução de 77% no resultado financeiro do trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior”.

De acordo com Portella, a resposta da companhia em meio ao aumento dos casos de covid-19 foi ágil e assertiva graças a um plano de continuidade de negócios efetivo. “Nossos investimentos em tecnologia, inovação, colaboração e mobilidade foram fundamentais nesse momento. Montamos operações remotas funcionais para nossos colaboradores, corretores e demais públicos. Os aplicativos da organização estão sendo cada vez mais utilizados no contexto da pandemia e distanciamento social. A Orientação Médica Telefônica expandiu sua capacidade de atendimento em 20 vezes e o Médico na Tela em 40 vezes”, explica o executivo. “Acreditamos, inclusive, que a telemedicina será um dos legados dessa pandemia”.

As operações de Saúde e Odonto, ainda sem impacto relevante da pandemia, registraram aumento de 12,1% da base de clientes, sobretudo a carteira empresarial, somando 3,9 milhões de beneficiários.

As receitas operacionais do segmento aumentaram 9,1% em relação ao mesmo período no ano passado, alcançando R$ 4,6 bilhões no primeiro trimestre de 2020. O destaque foi o crescimento de 39,7% em odonto, impulsionado pelos resultados da Prodent, cuja aquisição foi concluída no 3T19. A sinistralidade do trimestre apresentou aumento de 3,0 p.p. para 82,5%. No acumulado de 12 meses, o crescimento da sinistralidade foi de 0,9 p.p, atingindo 79,7%.

Importante destaque ao final deste primeiro trimestre foi a evolução dos beneficiários acompanhados dentro da estratégia do Cuidado Coordenado, que representaram cerca de 450 mil pessoas (+103% em relação ao 1T19) dentro de um universo de 2,3 milhões de beneficiários de saúde da empresa.

A operação de Automóveis e Ramos Elementares apresentou redução de 5,5% das receitas operacionais em relação ao mesmo período ano passado, totalizando R$ 658,3 milhões no trimestre, influenciada principalmente pelo cenário de melhor risco vigente, com a continuidade da queda nos níveis de roubo e furto em diversas regiões. As chuvas recordes ocorridas em janeiro e, principalmente, fevereiro na região Sudeste, onde a seguradora possui maior exposição, foram um dos principais motivos para o aumento de 4,1 p.p. da sinistralidade no trimestre, que foi de 63,6%. A menor circulação de veículos, iniciada no final de março, reduziu a frequência de sinistros, mas não foi suficiente para compensar tais efeitos.

Vale lembrar que no 1T20 o segmento de Automóveis e Ramos Elementares, cujo acordo de venda foi anunciado em agosto de 2019, passou por uma etapa essencial para a conclusão da transação: a segregação da operação em uma nova seguradora, ainda operando dentro do Grupo SulAmérica. A transação segue dentro do cronograma estabelecido originalmente, com os resultados dos segmentos sendo reconhecidos pela companhia até seu fechamento, previsto para o terceiro trimestre desse ano.

Em Vida e Previdência as receitas operacionais foram de R$ 116,9 milhões, uma ligeira redução de 1,7% na comparação com o mesmo período do ano anterior, já impactada pela pandemia, principalmente no seguro viagem. A sinistralidade no trimestre alcançou 49,1%, o que representa um ganho de 0,6 p.p. em relação ao mesmo período no ano passado. A melhora na sinistralidade entre os períodos impactou positivamente as despesas operacionais e, consequentemente, a margem bruta da carteira, que somou R$ 12,7 milhões, expansão de 28,4% em relação ao primeiro trimestre do ano anterior.

A SulAmérica Investimentos, gestora de ativos da empresa, encerrou o primeiro trimestre de 2020 com mais de R$ 43 bilhões em ativos sob gestão, 6% maior se comparado ao primeiro trimestre do ano passado. O avanço foi impulsionado principalmente por ativos de terceiros (+7,9%) e reservas de previdência (+7,7%).

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As receitas operacionais cresceram 26,7% e a margem bruta apresentou uma melhora de 22,3%, somando R$ 15 milhões no período. O volume total de recursos de terceiros seguiu com a maior parte alocada em fundos de renda fixa (49,1%), com fundos multimercado representando 45,2% do portfólio. A alocação nos fundos de ações apresentou aumento, representando 5,6% do total e seguindo a tendência observada no final de 2019.

As despesas administrativas representaram 8,2% das receitas operacionais no primeiro trimestre de 2020, ligeira melhora de 0,1 p.p. na comparação com o mesmo período no ano passado. Em termos absolutos, houve um aumento de 5,6% em relação ao primeiro trimestre de 2019, justificado, principalmente, por um maior quadro de colaboradores, aproximadamente 200 funcionários a mais, alocados basicamente em projetos estratégicos de inovação e transformação digital, bem como no avanço da estratégia de Cuidado Coordenado.

N.F.
Revista Apólice

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