O Paraná tem a terceira maior frota circulante do Brasil, atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais, e está na quinta posição entre os estados com maior número de furtos de veículos neste ano de 2020, considerando o período de janeiro a abril.

Segundo um levantamento feito com as secretarias de segurança pública de cada estado, no Paraná foram 6.863 veículos furtados ou roubados nos quatro primeiros meses do ano, dos quais 3.301 foram recuperados, o que significa um índice de recuperação de 48,1%.

Considerando apenas o mês de abril, em que as medidas de distanciamento social em função do coronavírus já estavam acontecendo em todos os estados, a região apresentou queda no volume de furtos de cerca de -16%. A redução ficou um pouco aquém de outros estados com frota significativa como, São Paulo (-43%), Rio de Janeiro (-45%), Minas Gerais (-48%) e Rio Grande do Sul (-30%).

Na avaliação do presidente do Sindicato das Seguradoras do Paraná e de Mato Grosso do Sul (Sindseg – PR/MS), Altevir Dias do Prado, os estados que apresentaram maior queda foram os que fizeram mais restrições à circulação de pessoas em suas capitais. “O Paraná, em especial Curitiba, por ter a pandemia relativamente controlada, mantém uma circulação maior de pessoas e veículos, situação que pode mudar”, disse, sugerindo um dos motivos que explicaria a redução menor em comparação com outros estados.

Outro dado observado por Prado é de que o Paraná, com a terceira maior frota, naturalmente poderia estar também no terceiro lugar na quantidade de veículos roubados ou furtados, no entanto está em quinto. “Isto quer dizer que proporcionalmente já é menor a incidência destes crimes no Paraná e portanto menos espaço para grandes variações negativas”.

Para o delegado titular da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos de Curitiba (DRFV), Eric Guedes, os índices já vinham em trajetória descendente antes do coronavírus e caíram ainda mais durante o isolamento. “Em 2019, ano em que eu iniciei o trabalho aqui na DFRV, com o empenho das forças policiais tivemos uma redução significativa dos furtos (-1,61%) e roubos (-26,72%) de veículos no Paraná”, diz.

Guedes afirma que a Secretaria da Segurança Pública do Paraná (Sesp) ainda não repassou oficialmente dados relativos a 2020, mas segundo ele, “o movimento de registro de ocorrências na delegacia está aproximadamente 20% menor”. Ele destaca que o efetivo reduziu um pouco porque alguns policiais do grupo de risco estão em casa, “mas o trabalho de operações policiais e prisões de criminosos segue intenso”.

O delegado informou que os dados de recuperação de veículos que dispõe referentes ao ano passado mostram índice de recuperação próximo de 60% no estado. De acordo com a Sesp, em 2019 foram furtados ou roubados 21.730 veículos no Paraná, dos quais 13.005 foram recuperados.

Apenas três estados registraram crescimento

O Ceará foi considerado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) o estado brasileiro com as maiores restrições em função da covid-19 e mesmo assim apresentou aumento no número de furtos e roubos de mais de 50%, comparando abril de 2019 com o mesmo mês de 2020.

Além do Ceará, também foi registrado aumento nos furtos e roubos de veículos no mês de abril em Mato Grosso do Sul (2,80%) e no Rio Grande do Norte (20%), sendo os únicos três estados do Brasil que não acompanharam a tendência de queda em função das restrições.

Área de abrangência do Sindseg – PR/MS

Considerando o primeiro quadrimestre do ano, o número de veículos furtados ou roubados no Paraná vem diminuindo nos últimos três anos. Em 2018 foram 8.880, reduzindo para 7.245 no ano seguinte e registrando nova redução neste ano para 6.863.

No Mato Grosso do Sul a tendência não se confirmou, reduziu de 1.441 em 2018, para 1.222 em 2019, mas voltou a subir para 1.350 nos quatro primeiros meses de 2020.

Parceria no combate ao crime

O Sindicato das Seguradoras é apoiador da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos de Curitiba (DFRV). Há mais de uma década troca informações e estatísticas sobre sinistros com os policiais, já doou uma série de equipamentos para investigação e também custeou melhorias na estrutura da DFRV.

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A última contribuição do sindicato foi em maio do ano passado com a construção de uma sala dedicada exclusivamente ao registro de Boletins de Ocorrência, acabando com o desconforto que ocorria anteriormente quando as vítimas acabavam tendo que fazer o B.O. em meio a entrada e saída de criminosos da carceragem da delegacia.

N.F.
Revista Apólice

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