Roberto Ciccone

EXCLUSIVO – Entender o cliente a fundo é um dos maiores desafios do mercado segurador ao redor do mundo. O consumidor busca, cada vez mais, produtos que sejam customizados de acordo com as suas necessidades. Em diversas carteiras isso ainda não é possível de encontrar disponível no mercado, mas é este o motivo de todos os especialistas avisarem aos corretores de seguros que é preciso conhecer muito bem as necessidades de cada cliente, acoplando as coberturas que fazem mais sentido para o momento vivido por cada um.

A pesquisa World Insurance Report 2020, elaborada pela consultoria Capgemini, chegou a esta e a outras conclusões sobre o perfil do consumo de seguros. “Os maiores concorrentes das seguradoras podem ser a Big Techs (Amazon, Google, Tesla), que possuem informações estruturadas sobre os clientes e são capazes de oferecer produtos de acordo com o perfil e o momento de cada um”, explica Roberto Ciccone, vice-presidente da Prática Seguros na Capgemini Brasil.

Mais de 50% dos entrevistados desejam um seguro com base no uso, pois oferece hiperpersonalização e valor ao dinheiro, mas apenas a metade das seguradoras oferece esse tipo de opção. O estudo foi realizado em 29 países nos quais a consultoria atua (inclusive o Brasil), com executivos de 150 empresas e 8 mil pessoas de diversos segmentos.

As Big Techs estão coletando dados em tempo real por meio de assistentes de voz, roupas inteligentes e outros dispositivos de IoT e chatbots interativos, enquanto apenas 38% das seguradoras capturam dados de dispositivos IoT em tempo real e 33% dos dados é por meio de linguagem natural. “Quem será o grande disruptor no seguro de automóvel, por exemplo, serão as big techs e as montadoras, que irão oferecer o carro como serviço e não como um bem. É muito clara a diferença de experiência, ninguém imagina a Amazon fazendo 43 perguntas para vender um seguro”, raciocina Ciccone.

A pesquisa mostra também que a mentalidade millenial transcendeu a barreira da idade e fez com o digital seja utilizado em larga escala. Ainda que na operação de seguros esta realidade ainda seja incipiente, hoje já possível verificar que os clientes querem ter à disposição várias plataformas diferentes. Eles conversam com os corretores por telefone ou whatsapp, depois de cotar o seguro pela internet e esperam ser atendidos pelas seguradoras por mídias sociais, telefone ou por meio digital.

No Brasil, o percentual de compras online ainda não alcançam os percentuais do resto do mundo. Os consumidores podem ser divididos em pioneiros, followers, inquisitivos e experimentais. Entre os pioneiros, 88% pesquisam e compram online; entre os followers, 47% pesquisam, mas apenas 27% compram online. A propensão de adquirir produtos de seguro de Big Techs é de 63% entre os pioneiros e 13% entre os followers.

Sobre o uso de API’s no mercado de seguros, o que torna mais fácil o lançamento de novos produtos, a grande barreira ainda é a regulatória, segundo Ciccone. O ambiente competitivo está mais barato, porque as seguradoras estão investindo em insurtechs, mas a situação está mais complexa. Percebemos que há muita coisa para fazer nas seguradoras e as fintechs tem tecnologia disruptiva, mas não tem dinheiro. Quem acelerou a transformação digital nas empresas foi a Covid-19″, ressalta o executivo.

Leia a íntegra do estudo: World Insurance Report 2020

Kelly Lubiato
Revista Apólice

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