O efeito carry-over, fruto do crescimento superlativo apresentado pelo setor no ano passado, vai ajudar as seguradoras a “manter a arrecadação setorial em nível que pode mitigar a queda de con­tratações, pelo menos no primeiro semestre”, avalia Marcio Coriolano, presidente da CNseg, em seu editorial na nova edição da Conjuntura CNseg.

Para ele, entre os fatores a favor do setor, há o próprio desempenho superlativo do mercado segurador em 2019, cujos contratos em vigência neste ano vão tornar a queda mais suave nos próximos meses, o nível de solvência suficiente e a baixa na sinistralidade de ramos tradicionais, produzida pela circulação menor de pessoas e de atividades nas grandes cidades. Esses fatores contribuem para baixar a frequência de colisões e roubos de veículos, roubo e furtos de propriedades, além do recuo nos atendimentos eletivos na rede assistencial de planos e seguros de saúde privada.

A perspectiva de alta na taxa de desemprego, acompanhada pela compressão da renda, deve impactar as receitas e taxas de sinistralidade dos seguros. Segundo Coriolano, essa retração de diversos mercados poderá atingir ramos tradicionais do segmento de Danos e Responsabilidades, como o de Automóveis, o de riscos industriais, Responsabilidade Civil e D&O, além dos Seguros de Pessoas e os Planos e Seguros de Saúde Empresariais.

O presidente da entidade avalia que “a queda no setor agrícola deverá ser menor do que a prevista para os setores industriais, considerado menos severo o contágio em regiões de baixa densidade demográfica, porém um setor afetado pela nova dinâmica do comércio internacional e volatilidade do câmbio. Esse fator impacta o ramo de Seguro Rural e o de Propriedades de empresas da agroindústria. Da mesma forma, impacta os Seguros de Pessoas e Seguros Saúde”.

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Um comportamento diferenciado nos setores de comércio e de serviços, em razão da quarentena, é avaliado por Coriolano. Para ele, entre os mais resilientes, estão mercados como farmacêuticos e higiene e limpeza. Entre os fortemente afetados, os de alimentação fora do domicílio, vestuário e calçados, por exemplo. Os seguros de Propriedades, Responsabilidade Civil e Seguros de Pessoas (Vida Risco Coletivo e Seguros de Saúde) devem também sentir mais os impactos.

Os seguros massificados, em linhas gerais, devem enfrentar aumento do cancelamento dos contratos ou da inadimplência decorrentes da pandemia. O Habitacional, pela restrição de funcionamento das unidades de atendimento do Sistema Financeiro Nacional, e produtos como Vida Risco, Prestamista, VGBL, PGBL e Títulos de Capitalização estão na relação de modalidades à espera de desaceleração.

As medidas de combate à pandemia que foram adotadas pelo setor (isolamento social, home office, fechamento do varejo) também mereceram destaque na nova edição da publicação. “Está sendo uma demonstração de que os ‘planos de contingência’ existem e saem do papel, que o avanço tecno­lógico e digital colocou o setor muito longe de um segmento econômico atrasado ou conservador em seus programas estratégicos e táticos e em práticas operacionais”, ressalta Coriolano.

N.F.
Revista Apólice

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