As seguradoras não são capazes de mudar a direção do vento, mas podem ajudar a atravessar a turbulência. Essa é a principal mensagem apresentada na nova edição da Conjuntura CNseg, que apresenta as principais medidas adotadas pelas empresas nacionais e estrangeiras diante dos impactos da pandemia do novo coronavírus. No caso brasileiro, a publicação aponta um duplo impacto decorrente da pandemia: no desempenho operacional das seguradoras e na gestão dos seus riscos, afirmando que, apesar disso, o mercado permanece resiliente e capaz de responder aos desafios impostos pelo cenário produzido pelo novo vírus.

Em relação ao impacto sobre os produtos em si, de acordo com a publicação, somente será possível “começar a traçar um panorama completo com a divulgação dos dados de março do setor de seguros, e mais meses adiante, o que só deverá ocorrer a partir de junho, tendo em vista a flexibilização dos prazos de envio das informações de fevereiro e março anunciada pela Susep”.

Entretanto, conforme abordado no editorial do presidente da entidade, Marcio Coriolano, na Conjuntura CNseg 18, é possível inferir que, de uma forma geral, todos os segmentos do setor deverão sofrer impactos por conta da pandemia. “Os prognósticos são desfavoráveis a médio prazo”, afirma.

No plano operacional, a medida mais relevante é a adoção dos Planos de Continuidade de Negócios (PCN), permitindo cuidar da saúde dos colaboradores e, ao mesmo tempo, manter os serviços sem prejuízo a seus clientes.

Os investimentos na conversão digital das seguradoras, segundo a publicação, explicam o atendimento via canais digitais a clientes e parceiros de negócios e o bem-sucedido trabalho remoto (home office). Nos últimos anos, relata o estudo “Panorama Digital do Setor Segurador”, realizado pela Comissão de Inteligência de Mercado da entidade em 2018, 97,3% das empresas consultadas afirmaram dispor de projeto de transformação digital, com destaque para ações voltadas aos clientes. O resultado disso é que podem ser realizados hoje, de forma remota: liquidação de sinistro, reembolsos, resgate, sorteios, pagamento de benefícios, cobrança, cancelamentos, aquisição de produtos e prestação de serviços de assistência.

A publicação ainda detalha as regras de aceitação de riscos e explica as razões de pandemias e epidemias, que são fatos raros e de difícil precificação, não disporem de coberturas específicas. Ainda assim, dada a gravidade da crise sanitária, parte do mercado passou a acolher os riscos decorrentes da pandemia nos seguros de benefícios, como Saúde Suplementar e Vida. Além disso, enumera diversos produtos dos segmentos de Danos e Responsabilidades e Seguros Pessoais que terão desvio na sinistralidade, em razão de situações ocasionadas indiretamente pela pandemia.

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A publicação também faz um retrato atualizado das consequências da pandemia no mercado mundial de seguros, demonstrando o alinhamento das seguradoras brasileiras com as melhores práticas. Ela detalha as medidas emergenciais adotadas pelo governo, avaliando-as positivamente no sentido de procurar atenuar os impactos do choque. Uma ação que busca manter as perspectivas de famílias e empresas no terreno positivo, criando uma ponte para o futuro, fundamental para a confiança na economia.

N.F.
Revista Apólice

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