10/08/2022

Covid-19: sinistralidade da Prevent Senior ficou estável em março

EXCLUSIVO – Em live realizada pelo Itaú BBA, o CEO da Prevent Senior, Fernando Parrilo, falou sobre como a sua empresa se estruturou para realizar o atendimento ao pacientes de Covid-19. A operadora foca suas vendas no público acima de 60 anos e já possui mais de 470 mil beneficiários.

No período mais crítico da pandemia para a empresa, no início do mês de março, a operadora teve mil internações a menos que no mesmo período do ano passado, por conta da suspensão dos atendimentos eletivos. Três hospitais foram separados para atender o seu público mais sensível, porém sem esquecer do atendimento quem já tinha doenças instaladas.

A postergação dos procedimentos eletivos foi necessária para entender o que estava acontecendo na sociedade. “Não podemos deixar a demanda por atendimento reprimida, mas, em termos de custo, tivemos 62% de sinistralidade, 1% a menos que no mês anterior, sem cortar contratos com nenhuma empresa”, informou Parrilo. Para ele, o grande triunfo para o controle da pandemia em sua carteira foi a rapidez na tomada de decisões. A Covid-19 não interferiu tanto nos resultados  quanto na estrutura.

O ciclo da doença

A pandemia chegou um pouco antes para os 470 mil segurados no grupo de risco da Prevent Senior. “Quando percebemos os primeiros pacientes com sintomas, estávamos 15 dias adiantados na pandemia. Foi importante para a companhia fazer esta movimentação para desenvolver tratamento, métodos de ventilação etc”, ressaltou o executivo.

Hoje, nos três hospitais dedicados aos pacientes com Covid-19, entubados são 25% a mais do que o normal. “A quantidade de óbitos foi a mesma do ano passado. Em sete ou oito dias dominamos as técnicas para controle da doença. Já demos mais de 400 altas nesta população. Tem muita coisa aparecendo no mundo, mas nossos números já são animadores para a sociedade”, ponderou Parrilo.

Em 31 de março, a Prevent Senior concentrava 58% das mortes do Estado de São Paulo, com 79 óbitos. Ela chegou a ser criticada pelo então Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Com uso antecipado da hidroxicloroquina, o número de mortes por Covid-19 caiu 60% e a média de idade dos pacientes que morrem subiu de 80 para 83 anos, segundo dados da empresa.

A empresa também conseguiu reduzir o tempo de entubação dos pacientes, de 14 para 7 dias. “Nossa meta é a não entubação, mas ainda temos um resquício de pacientes em tratamento”, afirmou Parrilo.

O Brasil não precisa de discurso, mas de trabalho. “Precisamos de um plano de ação mais concreto, porque ninguém vai aguentar ficar em isolamento até o final do ano? As pessoas precisam entender o que pode ser feito. As pessoas estão voltando à vida normal, mas sem plano de ação. Isso pode ser uma catástrofe”, lamenta Parrilo.

O que muda para o setor de saúde suplementar

“Acho que não só o modelo vai mudar, como as relações entre os playres do setor vai mudar”, adiantou Parrilo. A saúde suplementar só existe porque o governo não dá conta de fazer, acrescentou . “Saúde começou a ser tratado como um negócio qualquer, mas ele não é, porque tratamos com vida das pessoas. O sistema de saúde ficou totalmente mercantilista”.

A reflexão é que ninguém ganhou no jogo de cabo de guerra. As relações terão que ser discutidas, entrando em acordos. O modelo ideal ninguém sabe qual é , mas é preciso discutir o sistema estritamente mercantilista. “Saúde tem limite para ser mercantilista. A discussão no futuro será saudável”, refletiu o CEO.

Kelly Lubiato
Revista Apólice