EXCLUSIVO – Uma pesquisa realizada pelo Datafolha, publicada pelo jornal Folha de S.Paulo, indicou que grande parte dos brasileiros acreditam que a economia será muito afetada pela pandemia do coronavírus e quase um terço dos entrevistados afirmam que suas finanças serão prejudicadas. Mais da metade deles dizem que sua renda irá diminuir.

O instituto entrevistou 1.558 pessoas e 54% delas não poderão trabalhar em regime home office durante o período de quarentena. Sendo assim, muitos brasileiros estão sendo obrigados a cortar gastos para poderem se manter até que a situação causada pelo novo covid-19 seja resolvida. Portanto, o seguro é uma das primeiras coisas que os consumidores cortarão da sua lista de necessidades.

Antes da crise causada pelo vírus se instaurar pelo mundo todo, o mercado de seguros vinha demonstrando ótimo desempenho. Segundo dados divulgados na última carta conjuntura elaborada pela CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras), em janeiro de 2020 o setor cresceu 17,6% quando comparado com o mesmo período no ano passado.

A receita anual do mercado segurador apresentou evolução nominal de 12,1% em 2019, sendo a maior taxa desde 2012, totalizando uma receita de R$ 270,1 bilhões, isso sem contar a saúde suplementar e o DPVAT.

Para o economista Gilvan Cândido da Silva, professor e coordenador do MBA de Previdência Complementar da FGV (Fundação Getúlio Vargas), ainda é cedo para se falar do índice de perdas que o setor pode a vir sofrer, mas que as empresas devem estar preparadas para passar por esse momento difícil. “Estamos enfrentando um cenário turbulento, onde haverá uma retração da atividade econômica. As pessoas estão mais preocupadas em suprir suas necessidades básicas nesse momento, então elas irão preferir assumir certos riscos e deixar o seguro de lado, pelo menos por enquanto”.

De acordo com um levantamento feito pela consultoria de riscos Marsh, as pandemias causaram perdas econômicas de US$ 197,7 bilhões no mundo, de 2001 a 2016. No Brasil, em 2015 a epidemia do Zika Vírus, provocada pelo mosquito Aedes Aegypt, gerou um impacto financeiro negativo de US$ 16 bilhões na atividade econômica local.

Algumas empresas, apesar da legislação mundial excluir as coberturas em caso de pandemia, irão indenizar os casos de covid-19. Segundo Silva, os planos de saúde e o seguro de vida serão os segmentos que sofrerão um maior número de sinistros e que a tendência é que operadoras e seguradoras sejam mais criteriosas antes de assumir riscos. “No momento em que a companhia for montar o perfil do consumidor para fazer a precificação do produto, as perguntas serão seguidas muito mais a risca, afinal, as organizações não querem que o nível de sinistralidade se eleve agora, pois poderão sofrer prejuízos”.

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Um relatório elaborado pelo time de especialistas da Euler Hermes revisou o crescimento do PIB global para 2020 de +2,4% para +0,8%. Entretanto, a organização espera uma recuperação da atividade econômica na segunda metade de 2020. “Aconselho que as seguradoras pensem com calma e cautela nesse momento, pois tudo irá depender da eficácia das medidas que o governo irá implementar. Apostem na diminuição dos gastos administrativos e não tomem decisões em longo prazo, pois não sabemos o que está por vir e quanto tempo a pandemia irá durar”, ressalta Silva.

Nicole Fraga
Revista Apólice

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