As pandemias geraram prejuízos bilionários no mundo nos últimos anos. Agora, diante do Coronavírus (COVID-19), causador de infecções respiratórias, as empresas devem revisar, testar e atualizar os seus planos de continuidade de negócios e gestão de crises para evitar e minimizar perdas financeiras. Segundo levantamento global da consultoria de riscos Marsh, as pandemias causaram perdas econômicas de US$ 197,7 bilhões no mundo, de 2001 a 2016.

No Brasil, em 2015, a epidemia Zika Vírus, provocada pelo mosquito Aedes Aegypt, gerou um impacto financeiro negativo de US$ 16 bilhões na atividade econômica local. Parte do prejuízo também decorre da improdutividade nas companhias. Cada colaborador com sintomas do Zika Vírus teve que se ausentar em média cinco dias do trabalho.

De acordo com a consultoria, mais de 400 doenças infeciosas foram registradas nas últimas duas décadas. Neste intervalo de tempo, houve, por exemplo, o caso de doenças transmitidas por alimentos nos Estados Unidos e as perdas financeiras foram da ordem de US$ 78 bilhões em 2012. Já caso do vírus da SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave), que provocou um surto de pneumonia entre 2002 e 2003, os prejuízos foram de US$ 56 bilhões.

Segundo relatório da consultoria, os impactos econômicos potenciais podem se agravar porque é maior a dependência das empresas em tecnologia, viagens e cadeias de suprimento, por exemplo.

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A epidemias afetam as empresas e resultam em:

– Perda de força de trabalho devido a morte e doença;
– Maior absenteísmo dos funcionários e menor produtividade devido a obrigações familiares, distanciamento social e medo de infecção;
– Interrupções operacionais, incluindo interrupções e atrasos nas redes de transporte e cadeias de suprimentos;
– Redução da demanda do cliente;
– Dano à reputação se a resposta de uma organização a um surto for vista como ineficaz ou se suas comunicações com partes interessadas internas e externas forem vistas como incompletas ou enganosas.

De acordo com Flavio Castro, superintendente da Marsh Risk Consulting, as pandemias atravessam fronteiras e afetam ativos estratégicos das empresas, como é o caso do Coronavírus, que teve origem na China e se espalhou pela Europa, Ásia, Estados Unidos, Oriente Médio, África e América Latina (com casos confirmados no Brasil).

“Perda da força de trabalho, interrupções operacionais, baixa demanda dos clientes e danos à reputação da companhia são alguns exemplos de impactos nos negócios. Neste momento é imprescindível que as empresas façam uma revisão, testem e atualizem os planos de gerenciamento de crises e riscos adversos (seguráveis e não seguráveis) para garantir a continuidade dos negócios”, afirma o executivo.

As 9 maiores pandemias de 1918 a 2015:

“Gripe espanhola” (1918) 

– Cerca de 100 milhões de mortes
– Perda de 11% no PIB nos EUA, 17% no Reino Unido, 15% no Canadá e 3% na Austrália

“Gripe asiática” (1957)

– Cerca de 1,5 milhão de mortes
– Queda de 3% do PIB nos EUA, Reino Unido, Canadá e Japão

“Gripe de Hong Kong” (1968)

– Cerca de 1,2 milhão de infectados
– Aproximadamente US$ 26 bilhões em custos diretos e indiretos nos EUA

“HIV/AIDS” (1981)

– Mais de 70 milhões de infectados e 36,7 milhões de mortes
– Queda anual de 2% a 4% de crescimento do PIB na África

“SARS (Síndrome de Doença Respiratória Aguda Grave)” (2003)

– Chegou em 37 países, principalmente China, Taiwan, Cingapura e Canadá
8.098 casos suspeitos e 744 óbitos mortes
– Prejuízos de US$ 4 bilhões em Hong Kong, de até US$ 6 bilhões no Canadá e US$ 5 bilhões em Cingapura

“Gripo suína” (2009)

– De 151.700 a 575.500 mortes
– Perda de US$ 1 bilhão na Coréia do Sul

“MERS (Síndrome de Doença Respiratória)” (2012)

– Se espalhou por 22 países, principalmente Arábia Saudita, Coréia, e Emirados Árabes Unidos
1.879 casos de pessoas com sintomas e 659 mortes
– Perda de US$ 2 bilhões na Coréia e o governo teve gasto de US$ 14 bilhões

“Vírus Ebola na África Ocidental” (2013)

– 22 países, principalmente Libéria, Serra Leoa, e Guiné
– 28.646 casos de infecção e 11.323 óbitos
– Perda de US$ 2 bilhões na Libéria, Serra Leoa e Guiné

“Zica Vírus” (2015)

– Infecções em 76 países, principalmente no Brasil
– 2.656 relatos de casos microcefalia e/ou malformação do Sistema Nervoso Central.
– Casos de malformação do sistema nervoso
– Perda de US$ 7 a US$ 18 bilhões na América Latina e Caribe

N.F.
Revista Apólice

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