ATUALIZADO DIA 09/03 ÀS 11:56

EXCLUSIVO – Oficializado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1975, o Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, é comemorado desde o início do século 20. Atualmente, a data é cada vez mais lembrada como um dia para elas exigirem igualdade de gênero e realizarem protestos ao redor do mundo, relembrando a origem da luta de mulheres que trabalhavam em fábricas nos Estados Unidos e na Europa.

O dia 8 de março é considerado feriado nacional em vários países, como a Rússia, onde as vendas nas floriculturas aumentam nos dias que antecedem a data, já que homens costumam presentear as amadas com flores. Na China, as mulheres chegam a ter metade do dia de folga, conforme é recomendado pelo governo. Entretanto, não são todas as organizações que adotam essa medida.

Mulheres no mercado segurador

Segundo um estudo realizado pela ENS (Escola de Negócios e Seguros) em 2019, as mulheres correspondem a 55% da mão de obra no setor segurador. A pesquisa mostra dados do ano de 2018 e foi coordenada pela diretora de ensino técnico da entidade, Maria Helena Monteiro, em parceria com o economista Francisco Galiza.

A pesquisa faz uma análise dessas profissionais, correlacionando não só o mercado de seguros, mas a sociedade no geral e a evolução da presença feminina nos postos de trabalho. Além do aumento de mulheres em cargos de gerência, elas enfrentam um desafio ao chegar ao mesmo cargo de um homem: o salário. Dados coletados pela Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do Trabalho, apontam que houve um crescimento na remuneração média feminina. Em 2015, o rendimento correspondia a 83,43% do salário masculino; em 2016, 84,4%; e em 2017, 85,1%.

Além disso, a jornada dupla e o cuidado com os filhos sempre foram vinculados ao universo feminino. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), as mulheres ocupam 53,3 horas, semanalmente, com o trabalho, incluindo afazeres domésticos, enquanto os homens tomam 50,2 horas por semana.

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No mercado de seguros, a atuação de organizações como a Associação das Mulheres do Mercado de Seguros (AMMS), o Instituto pela Diversidade e Inclusão do Mercado de Seguros (IDIS) e até coletivos dentro das próprias seguradoras fazem o trabalho de difusão do conceito de igualdade.

A Revista Apólice resolveu fazer uma reportagem especial em comemoração a esta data e contar um pouco da trajetória de algumas representantes femininas do mercado de seguros.

Fabiana Resende

Fabiana Resende

Graduada em Administração de Empresas com ênfase em Finanças pelo IBMEC, Fabiana iniciou sua carreira atuando no mercado de capitais. Ingressou no mercado segurador em 2005 para assumir o departamento de marketing do Seguro PASI. Atualmente, como vice-presidente da empresa, a executiva é responsável pelas áreas comercial, operações, desenvolvimento de novos produtos, tecnologia dentre outros segmentos estratégicos ligados ao produto.

Para Fabiana, a sensibilidade da mulher é um grande diferencial para o mercado segurador. “O meu conselho para aquelas que desejam entrar no setor é que antes de qualquer coisa é necessário aprender a lidar com as adversidades. Nunca se sinta intimidada por algum profissional do sexo oposto, pois na minha opinião esta questão não faz nenhuma diferença para o seu desenvolvimento e performance profissional”, ressalta a executiva.

Glaucia Smithson

CEO América do Sul da Allianz Global Corporate & Specialty (AGCS), em julho de 2019 a executiva assumiu a liderança da estratégia da empresa, cujo foco é o crescimento sustentável no Brasil e em outros mercados sulamericanos como Chile, Argentina e Colômbia.

Glaucia Smithson

Glaucia tem mais de 20 anos de experiência no mercado, tanto no Brasil quanto globalmente. Anteriormente trabalhou na Zurich Seguros por mais de 10 anos e assumiu papeis seniores dentro da subscrição, incluindo os cargos de diretora de Linhas Empresariais e chief Underwriting Officer.

A executiva tornou-se mãe quando já ocupava cargos de diretoria e alega que passou por diversas dificuldades durante a sua carreira, fato que ela diz não ser co-relacionado com o seu gênero. “Trabalho desde os 14 anos de idade. Enfrentar obstáculos na vida profissional é natural, e são nesses momentos que a gente cresce. Passamos a ver os problemas com novas perspectivas e ganhamos uma bagagem que iremos levar para o resto da vida”, afirma.

Simone Negrão

Simone Negrão

Simone Pereira Negrão é advogada formada pela Universidade de São Paulo (USP) e atua no mercado segurador há 20 anos. Na Mapfre, já passou pelos setores de Governança, Compliance, Controles Internos e Normas. Atualmente, a executiva é a diretora de Jurídico e Controles Internos da seguradora, além de integrar o Comitê Diretivo da empresa no Brasil.

Para a executiva, a maternidade foi um momento onde houve um grande conflito entre sua vida pessoal e profissional, mas afirma que devido ao apoio oferecido por seus parentes foi possível obter o equilíbrio e dedicar-se tanto para sua família, quanto no seu trabalho. “Devido a experiência que eu tive, acredito que o mercado segurador pode e deve oferecer produtos que proporcionem mais comodidade para suas seguradas e estejam alinhados com o que elas pensam. Tudo aquilo que facilita o dia a dia é bem vindo, ainda mais quando se é mãe, por isso é importante ter esse olhar especial para a mulher”, diz Simone.

Thereza Moreno

Thereza Moreno

Thereza é vice-presidente de Finanças, CFO (Chief Actuary & Risks) & CRO (Chief Risk Officer) da Prudential do Brasil. A executiva é formada em Ciências Atuariais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), tem MBA em Finanças pelo IBMEC e é pós-graduada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) na área de Investimento e Risco.

Mulher e afrodescendente, a executiva tem mais de 29 anos no mercado segurador e afirma que o segredo para se obter sucesso no setor é agarrar as oportunidades e adquirir conhecimento constantemente. “Infelizmente, ainda não enxergo no mercado a representatividade feminina necessária. Já ouvi frases não tão bacanas durante a minha carreira, o famoso viés inconsciente. Contudo, não podemos deixar de falar que nós, mulheres, somos capazes. Autoconhecimento e determinação são as palavras chaves para manter-se no mundo dos seguros”, ressalta a executiva.

Nicole Fraga
Revista Apólice

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