No Brasil crescemos acostumados a dizer que este é um país abençoado por Deus e aqui estamos imunes a fenômenos da natureza como furações, vulcões, nevascas, tsunamis, tampouco vivenciamos situações de conflitos como guerras. Sendo assim, até hoje víamos com um distanciamento situações de emergência ou conflitos que são comuns a outros países e que davam a essas populações um certo preparo para esse enfrentamento.

Não tivemos tempo de treino. O coronavírus encurtou as distâncias, rompeu fronteiras e nos deixou lado a lado com os outros países, exigindo da população brasileira o enfrentamento à guerra.

Nós que atuamos no setor de seguros somos preparados para atuar justamente nas adversidades. Mas, mesmo com todos os conhecimentos e experiências em sinistros e situações críticas, também estamos sendo surpreendidos com esta epidemia.

(Foto: Marcelo Pereira/M11 Photos) Alexandre Camilo

O coronavírus surgiu do outro lado do planeta e corre em progressão geométrica atingindo populações inteiras. Em menos de três meses, esse vírus mudou o padrão do mundo e está sendo considerado o mais importante desafio global desde a 2ª Guerra Mundial.

No Brasil, assim como em outros países, está mudando rotinas, comportamentos e ações das pessoas, empresas e do poder público. Aos poucos vamos vendo a paralisação da economia, adiamento de eventos, cancelamento de contratos… Áreas como a de turismo, pequenos comércios, prestadores de serviços autônomos estão tendo perdas inestimáveis. Uma paralisação atinge outra, uma sequência de perdas afetando direta e drasticamente a receita de pessoas e organizações em geral.

Entretanto, o Brasil é favorecido com a experiencia já vivida em outros continentes. Como a epidemia chegou aqui posteriormente, pudemos ir tomando providências e nos preparando antes de sermos acometidos, diferente desses primeiros locais que foram pegos abruptamente. Podemos não ter o treino para esta guerra, mas não podemos ter a desculpa que não tivemos os devidos avisos do que estava por acontecer.

Tenho confiança de que mesmo sem o treino anterior a sociedade brasileira está demonstrando disposição e consciência, que é o principal fator para o devido enfrentamento e superação dessa situação.

Nesse contexto e diante de tantas perdas, as atenções recaem às coberturas securitárias, sabidamente o melhor instrumento garantidor de perdas. Todavia, a capacidade de financiamento disso tudo por parte das companhias seguradoras tem um limite. Por isso, as companhias de um modo geral e pelo mundo excluem ou interrompem as coberturas quando se deparam com fenômenos da natureza, guerras ou pandemias propriamente ditas. E aí vem o questionamento: a sociedade, que nesse momento tanto precisa desse instrumento reparador, poderá se ver diante da falta do seguro?

Acredito firmemente na capacidade das seguradoras brasileiras e na sua disposição e inteligência para se fazerem presentes neste momento. Lembramos então do sábio ditado que diz que se aprende pelo amor ou pela dor. Esses fatos farão com que a sociedade tenha mais uma demonstração do quanto o seguro é importante em suas vidas, infelizmente nesse momento pela dor e pelas perdas que esta situação traz a todos.

Aqueles que já têm o seguro como parte do seu dia a dia certamente terão o conforto da mitigação de algumas perdas, mas infelizmente esta situação não será vivida pela maioria, ainda sem o hábito da contratação de seguros.

Os ensinamentos assim serão para todos: a sociedade vivendo uma situação inusitada será colocada à prova para superá-la, a economia brasileira mais uma vez terá que dar demonstração de força e superação, as companhias seguradoras terão que se adaptar a este momento, especialmente fazendo uso de muita sensibilidade para com os segurados, e os corretores de seguros mais uma vez estarão presentes junto à sociedade, amparando, colaborando e ajudando no que for preciso.

Essa união de esforços, somada a esse rápido aprendizado de todos, fará com que a sociedade brasileira saia vencedora disso tudo. Mais solidária, com o sentido preventivo apurado e com uma nova visão de futuro, pois certamente o que e como vivemos até hoje não será igual daqui para frente.

* Por Alexandre Camillo, presidente do Sincor-SP

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