EXCLUSIVO – O mercado segurador do Brasil se prepara para entrar em uma das suas melhores fases em 2020. Uma série de tendências globais que estão chegando ao País, combinadas ao cenário econômico mais positivo para fechar negócios, vão auxiliar para que a região se mostre cada vez mais forte nesse setor.

Inovação, transformação, tecnologia, investimento financeiro internacional e mais viagens ao exterior são algumas coisas que podemos esperar para o próximo ano. Entre os anos de 2018 e 2019, o Brasil ocupou o 14º lugar no ranking dos maiores mercados de seguros do mundo. Entretanto, em 2020 subirá para a 8º posição.

Veja a seguir as expectativas de alguns representantes do mercado para o ano que vem.

Grandes Riscos

Para Fabio Protasio Oliveira, CEO da AIG no Brasil, “as perspectivas macroeconômicas para 2020 são positivas e esperamos que as reformas estruturais, ainda em discussão, permitam ampliar os negócios no médio prazo. A companhia está preparada para seguir se fortalecendo no segmento de grandes riscos com produtos alinhados à demanda de mercado”.

Saúde

Segundo Fabio Almeida, diretor de vendas e pós-vendas da Amil, o mercado de planos de saúde vem perdendo beneficiários nos últimos anos, principalmente devido aos índices de desemprego, que influenciam diretamente na venda de planos de saúde empresariais. “Esperamos que, com a retomada da economia, haja um ganho de beneficiários no sistema privado de saúde. Também vemos uma tendência de crescimento de novos modelos de negócios baseados no cuidado primário, com opções mais inteligentes de acesso ao sistema, orientado por profissionais de saúde focados no direcionamento mais adequado e no cuidado coordenado”.

Vida e previdência

De acordo com David Legher, CEO da Prudential do Brasil, “o mercado de seguros como um todo, no Brasil, vive um momento muito positivo, de expansão e diversificação, conquistando um crescimento, em 2019, por volta de 10%. Acreditamos no enorme potencial de expansão que o seguro de vida tem no país. Por isso fortaleceremos, ainda mais, os nossos canais de venda como o modelo de franquia Life Planner, as parcerias comerciais e a operação de Vida em Grupo. A nossa expectativa é a melhor possível para 2020, com um mercado ainda mais aquecido e com grandes oportunidades.”

Já Helder Molina, CEO da Mongeral Aegon, acredita que “a reforma da previdência ampliou o debate em torno da seguridade das pessoas, e isso tem sido fundamental para a tomada de consciência da população para ser previdente, ou seja, uma pessoa que se previne contra os riscos, neste caso, de morte e invalidez”. Para o executivo, a previdência privada segue o mesmo caminho. “A reforma da previdência teve papel importante para elevar os debates e fazer com que as pessoas pensassem no assunto e tomassem as rédeas do próprio planejamento financeiro”.

Capitalização

O novo marco regulatório que entrou em vigor em abril deste ano vem sendo fundamental para a construção de um novo panorama do setor de capitalização. A inclusão de duas novas modalidades, o Instrumento de Garantia e o Filantropia Premiável, deram novo fôlego ao segmento, gerando a entrada de inúmeros novos produtos no mercado.

Para Marcelo Darcy de Oliveira, diretor de capitalização da Icatu Seguros, “a perspectiva para 2020 é continuar o ciclo de crescimento de dois dígitos que já notamos esse ano, com mais negócios, uma vez que o novo marco trouxe mais clareza e segurança jurídica, abrindo espaço para a criação de novos produtos alinhados às necessidades dos consumidores”.

Marcelo Farinha, presidente da Fenacap, diz que “esse novo ambiente regulatório abre um leque de possibilidades que já se faz sentir desde já. De maio até aqui, cada uma dessas modalidades apresenta faturamento da ordem de 6% a 7% do lucro global do segmento. A capitalização cresce e se diversifica, demonstrando fôlego para seguir a rota de sucesso observada nesses 90 anos de sua história no território nacional”.

Ramos Elementares

Segundo Nery Silva, vice-presidente Américas da Generali, “com as medidas econômicas adotadas pelo governo, temos notado que o nível de confiança de nossos clientes dos mais variados segmentos aumentou muito. A economia brasileira deverá crescer cerca de 3% no próximo ano e o mercado de seguros será parte deste novo momento do país”.

Automóvel

Para Amit Louzon, CEO da Ituran Brasil, “a tecnologia permite definir várias leituras importantes para nosso negócio: comportamento de determinados clusters de veículos e clientes; predição dos horários, locais e dias da semana que ocorrem eventos; melhor posicionamento das equipes de pronta resposta; redução do tempo de chegada das equipes ao local do evento; dentre vários outros aspectos que nos auxiliam em nosso dia a dia para nos mantermos na liderança do segmento de recuperação e monitoramento veicular. Nossa perspectiva é fecharmos 2019 com 15% e, em 2020, projetamos 20% de crescimento na carteira”.

Rogério Santos, diretor de Automóvel da Sompo Seguros, ressalta que a companhia tem investido para desenvolver mais oportunidades de negócios para os parceiros corretores de seguros. “Os investimentos em tecnologia e capital humano permitiu que a empresa esteja preparada para alçar a um novo patamar em termos de seguro Automóvel. Nossas perspectivas são de crescimento da presença de nossa marca em diferentes regiões do País, além do desenvolvimento de novos serviços agregados”.

Resseguro

Segundo Mathias Jungen, Head da Swiss Re Brasil e Cone Sul, “em um mundo em rápida mudança, tanto do ponto de vista societário quanto regulatório, a empresa também trabalha no sentido de desenvolver soluções de resseguro específicas e personalizadas para empresas com necessidades de capital ou fortes planos de crescimento. A companhia visa atuar como uma parceira estratégica, guiando seus clientes durante toda sua jornada, desde desenvolvimento de produtos até apoio para sua transformação digital”.

José Carlos Cardoso, CEO do IRB Brasil RE, afirma que o Instituto está otimista com as perspectivas para os próximos anos. “Uma nova oportunidade acabou de ser aberta com a nova norma da Susep que elimina a obrigatoriedade de apólices anuais, abrindo espaço para a oferta de produtos que podem ter duração de meses, dias, horas, minutos ou até mesmo sem prazo definido. Essa flexibilidade deverá criar negócios no setor ressegurador para os quais já estamos preparados”.

Nicole Fraga
Revista Apólice

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