EXCLUSIVO – Ao chegar à adolescência, em sua 14a. edição, o Fórum da Longevidade, promovido pela Bradesco Seguros, mostrou que é fundamental investir no aprendizado constante para as pessoas 60+. Em 10 anos, o Brasil terá mais idosos do que jovens. Hoje os 60+ somam mais de 28 milhões de pessoas. “Temos que mudar a forma como vemos as coisas, aprendendo sempre”, afirmou Alexandre Kalache, embaixador do evento.

Alessia Forti, Labour Market Economist da OCDE, ressaltou que é importante para adultos manterem-se sempre em aprendizagem, principalmente em tempos de rápido desenvolvimento tecnológico e com economia globalizada, para atualizarem as suas habilidades

No Brasil, o envelhecimento acontece mais rápido, mas esta é uma tendência ao redor do mundo. Como as pessoas vão viver e trabalhar mais, elas necessitam rever seus conhecimentos e competências ao longo da vida. Forti explicou que as profissões estão mudando também. “Os países que envelhecem rápido necessitam de mais profissões ligadas à saúde”, pontuou.

Novas tecnologias também afetam o mundo do trabalho. Os robos estão chegando e devem aumentar sua presença na sociedade. “Estimamos que 14% dos empregos podem desaparecer por conta da automação e 32% devem mudar substancialmente”, avisou Forti, acrescentando que “isso nos diz que um número substancial de pessoas que já estão no mercado de trabalho precisam ser treinadas para fazer outras coisas ou exercer as mesmas  funções de forma diferente”.

Sabemos que 40% dos adultos são treinados por ano, incluindo qualquer tipo de treinamento. Uma das barreiras é a falta de motivação, para mais de 50%. Há alguns obstáculos. As empresas podem prover mais treinamento para os seus funcionários. Entretanto, elas preferem investir nos mais jovens, com mais competências e que irão ficar mais tempo na empresa.

Os grupos em desvantagem são os mais velhos (cujas qualificações estão desatualizadas); as pessoas com baixas habilidades; trabalhadores de setores com alta automação; e trabalhadores de áreas fora do padrão. “Eles são os que menos recebem treinamento”, constatou Forti.

“Sabemos que os mais velhos tem muitas habilidades mas com baixo nível de qualificação. Eles também tem dificuldades em ficar envolvidos no mercado de trabalho. Há preconceito em relação a estas pessoas no mercado de trabalho”, finalizou Forti.

A filósofa Viviane Mosé disse que temos que enxergar o tempo de uma forma diferente. A idade não é o tempo cronológico, mas a idade que seu corpo representa. “O tempo da vida é aquele no qual cada um tem o seu presente, um circulo que se espraia. O futuro é uma projeção adiante e o passado é o que carregamos”.

Christine O’Kelly, pesquisadora da Dublin City University (soluções de alta tencologia) é uma das pessoas que está investindo na criação de oportunidades para o aprendizado na maioridade. Em 2010, o programa para atender os idosos foi inspirada pelo Who Ageing Cities Programme, pois ele se preocupa em como as pessoas vão envelhecer.

“Teremos que envelhecer juntos, de maneira saudável”, sentenciou Kelly. Há algum tempo, apenas os muito ricos podiam estudar. Não havia muitas oportunidades para envolver as pessoas mais velhas na educação. As pessoas achavam que a universidade não era lugar para os mais velhos. Havia muita dúvida e negatividade, até sobre o que as pessoas iriam pensar daqueles que decidiam investir na educação após estarem mais velhos.

“Nós convidamos as pessoas mais velhas para conhecer o campus da universidade, fizemos palestras sobre psicologia, oratória, tecnologia, mais de 60 palestras durante o dia”, explicou Kelly, mostrando que é possível envolver os mais velhos em novos aprendizados.

Alexandre Kalache, no 14a. Fórum da Longevidade

O médico Kalache acrescentou que é preciso espalhar a pesquisa para pessoas idosas também. “Estudamos medicina, por exemplo, utilizando o modelo de um homem jovem. Quando precisamos encontrar o baço de uma mulhere idosa e obesa, podemos até matar a paciente por falta de conhecimento. O único recurso renovável que temos à disposição são as pessoas mais velhas”.

Kelly Lubiato
Revista Apólice

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