Em decorrência do atual cenário econômico no Brasil, aumentou nos últimos anos o movimento na contratação de financiamentos para o pagamento de dívidas por pessoas físicas. Na busca por juros menores, um dos segmentos que se consolidaram mais rapidamente foi o empréstimo consignado, em que a pessoa que toma o crédito garante o pagamento das parcelas com desconto direto no salário, pensão ou aposentadoria. Porém, o empréstimo com um bem como garantia também conquista popularidade nos últimos anos.

Conhecida também por refinanciamento imobiliário, home equity ou alienação fiduciária, essa categoria de empréstimo representa apenas 3% do PIB brasileiro atualmente, segundo estimativas da Credihome. Esse valor ainda é baixo comparado a outros mercados – 33% no Japão e 51% na Alemanha, mas conta com o crescimento decorrente da expansão de fintechs como a Creditas, que se reformulou em 2016 e já emprestou mais de R$ 500 milhões para clientes que oferecem imóveis ou veículos como garantia. Bancos digitais, como o Banco Inter, também têm dado maior destaque para essa oferta e hoje a tendência é aumentar o número de players no segmento após a decisão do Banco Central em reduzir as exigências dos bancos para empréstimos e também para o crédito rural.

Analisando esse cenário de curto prazo, a digitalização dos processos pode agir como um elemento para contribuir com aqueles que buscarem se diferenciar em um segmento que já conta com as menores taxas de empréstimo do mercado. Um exemplo é no seguro obrigatório para o recebimento do imóvel do tomador como garantia.

Enquanto o processo de liberação do empréstimo ainda leva muito tempo devido a passos como análise de crédito e de documentação, avaliação de imóveis e registro em cartório, a utilização de plataformas digitais surge como um elemento efetivo contra esses processos burocráticos, em especial por conta da sua velocidade.

Rossana Costa é diretora da GEO

Esses diferenciais ganham maior peso em um momento em que os grandes bancos ainda não embarcaram de vez nessa modalidade de empréstimo com garantia de imóvel, já que para eles essa operação é menos rentável do que os juros resultantes em outras modalidades. Assim, fintechs e bancos digitais contam com maior espaço para se estabelecerem no mercado por meio da utilização de soluções tecnológicas antes dele se tornar mais atraente para os players maiores em decorrência da projeção de aumento da demanda.

Entre as vantagens que essa digitalização oferece estão a redução do custo do seguro em apólices elaboradas previamente com o auxílio de ferramentas de análise de dados e Big Data, assim como a possibilidade de pagamento de taxa única por operação, sem a necessidade de analisar cada um dos elementos envolvidos de forma individualizada. Essa inovação para apólices de seguros já é implementada no Brasil em operações de seguros para os segmentos imobiliário e de construção civil e agora também para os empréstimos com imóveis em garantia.

Com a redução no impacto do custo do seguro por meio de uma apólice com uma taxa única e reduzida pela análise do volume de informações que o segurador possui no segmento de crédito imobiliário, concomitante a redução das despesas em suas propostas de empréstimos, bancos digitais e fintechs de qualquer porte podem se aproveitar dessa oportunidade no mercado de crédito pessoal e oferecer empréstimos mais rápidos e com menores custos para o consumidor final.

*Rossana Costa é diretora da GEO

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