Se por um lado, o plano de saúde está entre os três maiores desejos do brasileiro, por outro, é o segundo maior custo de uma empresa, respondendo, em média, de 12 a 15% da folha de pagamento. Foi para debater esse cenário e apresentar soluções às organizações que aconteceu na manhã do dia 29 de outubro, na Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro (Amcham Rio), o Fórum “Quando o RH solicita saúde”. O diretor médico da Med-Rio Check-up, Gilberto Ururahy, e a CHRO & Partner da Degoothi Consulting, Claudia Marchi, destacaram ações necessárias para que as organizações melhorem a gestão de saúde.

Para ambos, é fundamental que as empresas invistam continuamente em prevenção. Segundo Claudia, há organizações que criam ações esporádicas ou que participam de campanhas, mas sem desenvolver uma cultura voltada para saúde. Para ela, isso é reflexo da forma como os gestores compreendem a saúde. “Ela não pode ser percebida como custo, porém é essa a visão que ainda persiste em muitas companhias”, afirma a executiva.

Para mudar isso, é preciso que as empresas tangibilizem em números o retorno que a gestão da saúde traz, inclusive no aspecto financeiro. Ururahy observou que colaboradores saudáveis reduzem o uso do plano de saúde com consultas, exames e internações. O resultado é o controle da sinistralidade do benefício, o que permite a empresa negociar melhores valores com a operadora na hora de renovar o contrato.

Leia mais: É necessário enxergar colaborador como ser humano

Diabetes, obesidade, hipertensão arterial são algumas das doenças crônicas citadas pelo executivo que atingem boa parte da população e poderiam ser prevenidas com mudanças nos hábitos de vida. Em muitos casos, são elas as responsáveis pelo afastamento médico do colaborador e além disso, a falta de uma rotina saudável aumenta o risco de sofrer um infarto, um AVC e até mesmo do desenvolvimento de vários tipos de câncer. Todas representam altos custos para o sistema de saúde. “Atualmente, 73% das mortes no mundo estão relacionadas ao estilo de vida”, alertou Ururahy ao citar uma pesquisa da Universidade de Stanford.

Ele observa que é preciso que o indivíduo tome as rédeas do seu próprio cuidado. Porém, não é fácil promover mudanças sem apoio. A maior parte costuma alegar falta de tempo para realizar os exames preventivos. Por isso, é importante que a saúde seja um item primordial dentro da estratégia da empresa. “Tenho visto um relevante aumento no número de casos de depressão e de burnout no mundo corporativo. Isso reforça a necessidade das empresas olharem com mais atenção para a saúde dos seus funcionários”, ressalta.

Alerta aos RHs

Os palestrantes alertaram que é preciso que as empresas tenham cuidados na hora de contratar fornecedores e prestadores de serviço. Eles criticaram o fato de que muitos gestores olham apenas para o valor do serviço na hora da tomada de decisão. “Isso não pode ser o principal critério. Competência técnica inquestionável, serviços singulares e integridade no relacionamento são fatores essenciais”, disse Claudia.

Para Ururahy, as empresas também enfrentam um desafio por não terem pessoas especializadas em saúde. Ele explicou que são as áreas de RH e de Suprimentos que respondem, na maioria das vezes, pela contratação de um fornecedor, porém são setores formados por profissionais que não costumam conhecer as singularidades da saúde. “Tomar uma decisão sem conhecer os prestadores in loco, utilizando-se de e-mails e propostas, sem realizar uma visita técnica, é uma decisão frágil e arriscada. O resultado é a contratação de serviços que não atendem a necessidade da empresa. Isso significa aumento de custos e desperdício de recursos”, afirma.

N.F.
Revista Apólice

Deixe uma resposta